395px

Bienvenido al Mundo Real

Eric Borba

Bem-vindo Ao Mundo Real

Tudo começou na sexta-feira treze
Paranaense grávida de nove meses
Dando luz numa cidade que não acolheu

Mais um sagitariano veio ao mundo
Uma alma livre presa quase que no fundo
De uma monogamia que não se entendia mais

Olhos castanhos e o cabelo arrepiado
Uma marca de nascença na nuca estampado
E o rosto não gerava dúvida de quem era o pai

Por meia dúzia de anos bem criado
Até ter que trocar os pais por advogados
E decidir pra um juiz com quem iria ficar

Dos seis aos doze sofreu bullying na escola
Por idiotas com reflexos de casa
Com pais que usam o Facebook pra mimimizar

Aos quinze anos arranjou uma namorada
Que construiu na sua cabeça alguns traumas
E ainda teve a coragem para lhe dizer

Bem-vindo ao mundo real
Você vai ter que se virar
Bem-vindo ao mundo real
Não tem ninguém pra te abraçar

Ele se trancou no quarto com a guitarra
Tocando por dez horas sem ter uma pausa
Exceto com sua avó se preocupando com que ele ia comer

Aos dezoito anos teve que alistar
E os soldados o chamaram de bichinha
Porque não quis ficar e varrer o chão do general

Ele alegava sempre que está tudo ok
Que muita gente suspeitava que ele fosse gay
Mas a verdade é que ele não ligava pra orientação

Dos dezenove aos vinte e três fez faculdade
Por falta de opção escolheu pelo marketing
E a professora mônica falou algo que o relembrou

Bem-vindo ao mundo real
Você vai ter que se virar
Bem-vindo ao mundo real
Não tem ninguém pra te abraçar

Depois de algumas relações veio a tóxica
E uma tal de pandemia batendo à sua porta
E alguns fakes na internet para o assombrar

Aos vinte e quatro e meio resolveu recomeçar
Botando um fim nos seus passados e poder focar
Novos amores que ficaram pra uma outra canção

Conheço o mundo real
Sempre vou ter que me virar
Conheço o mundo real
Não tem ninguém pra me abraçar

Bem-vindo ao mundo real
Você vai ter que se virar
Bem-vindo ao mundo real
Não tem ninguém pra te abraçar

Bienvenido al Mundo Real

Todo comenzó un viernes trece
Paranaense embarazada de nueve meses
Dando a luz en una ciudad que no acogió

Otro sagitariano vino al mundo
Un alma libre atrapada casi en lo profundo
De una monogamia que ya no se entendía más

Ojos marrones y el pelo alborotado
Una marca de nacimiento en la nuca estampada
Y el rostro no dejaba dudas de quién era el padre

Criado por unos pocos años
Hasta tener que cambiar a los padres por abogados
Y decidir ante un juez con quién se quedaría

De los seis a los doce sufrió bullying en la escuela
Por idiotas con reflejos de casa
Con padres que usan Facebook para quejarse

A los quince años consiguió una novia
Que construyó en su cabeza algunos traumas
Y aún tuvo el coraje de decirle

Bienvenido al mundo real
Tendrás que arreglártelas solo
Bienvenido al mundo real
No hay nadie para abrazarte

Se encerró en su habitación con la guitarra
Tocando durante diez horas sin pausa
Excepto cuando su abuela se preocupaba por lo que iba a comer

A los dieciocho años tuvo que alistarse
Y los soldados lo llamaron marica
Porque no quiso quedarse a barrer el suelo del general

Siempre afirmaba que todo estaba bien
Que mucha gente sospechaba que era gay
Pero la verdad es que no le importaba la orientación

De diecinueve a veintitrés estudió en la universidad
Por falta de opción eligió marketing
Y la profesora Mónica dijo algo que lo hizo recordar

Bienvenido al mundo real
Tendrás que arreglártelas solo
Bienvenido al mundo real
No hay nadie para abrazarte

Después de algunas relaciones llegó la tóxica
Y una tal pandemia llamando a su puerta
Y algunos fakes en internet para atormentarlo

A los veinticuatro y medio decidió empezar de nuevo
Poniendo fin a su pasado y pudiendo enfocarse
En nuevos amores que quedaron para otra canción

Conozco el mundo real
Siempre tendré que arreglármelas solo
Conozco el mundo real
No hay nadie para abrazarme

Bienvenido al mundo real
Tendrás que arreglártelas solo
Bienvenido al mundo real
No hay nadie para abrazarte

Escrita por: Eric Borba