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¡Te atrapé, Cavaquinho! (Versión 1)

Ernesto Nazareth

Apanhei-te, Cavaquinho! (Versão 1)

Um cavaquinho, cabecinha pequenina
No formato dum oitinho
De boquinha redondinha, de pescoço
Compridinho, orelhinha cravelhinha
De madeira o terninho, gravatinha
De cordinha, falou

Sou miudinho, tenho quatro cordazinha
Mas, dou vida ao chorinho!
Sou o molho do sambinha!
Seu pandeiro, cuidadinho!
Tome tento, ó flautinha! Seu piano
Diga ao pinho: Cavaquinho já chegou!

Oh cavaquinho malcriado
Deu o brado, indignado, o piano
Seu mesclado, sem teclado, vilão!
Oh cavaquinho, te arrebento
Seu rebento de instrumento, ruge o pinho
Seu safado, mascarado, não!

A dona flauta, com a prata
Mais vermelha que centelha
Num trinado, engasgado
Disse apenas: Bufão!
Seu pandeiro, vibra o
Guizo ao cavaco, facão
Eu te bato, eu te piso, seu tostão!

O cavaquinho envergonhado
Deu no pé, pé, pé, aprendeu a lição, ão, ão
Que não se brinca em seresta
Nem se ofende ninguém!
Que não se zomba do
Mais velho, também!

Mas cavaquinho arrependido
Voltou lá, lá, lá!
E pediu pra ficar, ar, ar, e
Humilde, aprendeu, eu, eu
A respeitar os do lugar! Ah!

¡Te atrapé, Cavaquinho! (Versión 1)

Un cavaquinho, cabecita chiquitita
En forma de ocho
Con boquita redondita, con cuello
Larguito, orejita clavetita
De madera el trajecito, corbatita
De cordón, habló

Soy chiquitito, tengo cuatro cuerditas
¡Pero le doy vida al choro!
¡Soy el alma del sambita!
Tu pandero, con cuidadito
¡Pon atención, flautita! Tu piano
Dile al pino: ¡El cavaquinho ya llegó!

Oh cavaquinho malcriado
Dio el grito, indignado, el piano
Su mezclado, sin teclado, villano
¡Oh cavaquinho, te destrozo
Tu retoño de instrumento, ruge el pino
¡Tu desgraciado, enmascarado, no!

La señora flauta, con la plata
Más roja que chispa
En un trino, entrecortado
Dijo apenas: ¡Bufón!
Tu pandero, vibra el
Cascabel al cavaquinho, facón
¡Te golpeo, te piso, tu centavo!

El cavaquinho avergonzado
Se fue, fue, fue, aprendió la lección, ão, ão
¡Que no se juega en serenata
¡Ni se ofende a nadie!
¡Que no se burla del
Más viejo, tampoco!

Pero el cavaquinho arrepentido
Volvió allá, allá, allá!
Y pidió quedarse, ar, ar, y
Humilde, aprendió, yo, yo
A respetar a los de lugar ¡Ah!

Escrita por: Ernesto Nazareth