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Zoraide y Zulmira

Ervino José

Zoraide e Zulmira

Cheguei sem ser convidado
Em uma festa caipira
Ali fiquei conhecendo
A Zoraide e a Zulmira
Morenas flor de canela
Por quem um homem suspira
De vestidos amarelos
Iguaizinhas sem mentira

Tirei uma pra dançar
Saí no passo largado
De longe avistei um homem
Olhando nós dois de lado
Quase dois metros de altura
E um corpo avantajado
Perguntei que é? Me disse
É meu pai, tome cuidado

Dançava todas as marcas
Sem saber com quem dançava
Se Zulmira ou Zoraide
Para mim pouco importava
Mas o velho não gostou
Me perguntou se eu estava
Zombando com suas filhas
Ou se alguma interessava

Disse em tom de gozação
Sou um caboclo verdadeiro
Me interessei pelas duas
E não quero ser grosseiro
Gostaria de ficar
Com as duas companheiro
Sei que não permitirá
Tô indo embora parceiro

Apanhou-me pelo braço
E me desceu o chicote
Eu pulei pela janela
Ligeiro igual um coiote
Me embrenhei na capoeira
Porque eu não sou pixote
Também não ia bater
No coitado do velhote

Por lá eu nunca voltei
Não vejo necessidade
Mas eu tenho na lembrança
A Zulmira e a Zoraide
Uns caroços pelo lombo
Do chicote da maldade
Do pai das duas donzelas
Moças lindas de verdade

Zoraide y Zulmira

Llegué sin ser invitado
A una fiesta campesina
Allí conocí a
Zoraide y Zulmira
Morenas de piel canela
Por quienes suspira un hombre
Con vestidos amarillos
Igualitas, sin mentira

Saqué a una a bailar
Salí con paso ancho
De lejos vi a un hombre
Mirándonos de reojo
Casi dos metros de altura
Y un cuerpo robusto
Pregunté quién era, me dijo
Es mi padre, ten cuidado

Bailaba todos los ritmos
Sin saber con quién bailaba
Si con Zulmira o Zoraide
Para mí poco importaba
Pero al viejo no le gustó
Me preguntó si estaba
Bromeando con sus hijas
O si alguna me interesaba

Dije en tono de burla
Soy un campesino de verdad
Me interesé por las dos
Y no quiero ser grosero
Me gustaría quedarme
Con las dos, compañero
Sé que no lo permitirá
Me estoy yendo, amigo

Me agarró del brazo
Y me bajó el látigo
Salté por la ventana
Rápido como un coyote
Me metí en la capoeira
Porque no soy un novato
Tampoco iba a golpear
Al pobre viejito

Nunca volví por allá
No veo la necesidad
Pero en mi memoria quedan
Zulmira y Zoraide
Unos chichones en la espalda
Del látigo de la maldad
Del padre de las dos doncellas
Chicas realmente hermosas

Escrita por: Ervino José