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Amazônidas

Estela Ceregatti

Amazônidas

Homenagem às amazônidas brasileiras, mulheres indígenas

Somos filhas das ribanceiras
Netas de velhas benzedeiras
Deusas da mata molhada
Temos no urucum a pele encarnada

Lavando roupas no rio, lavadeiras
No corpo um gingado de carimbozeiras
Temos a força da onça pintada
Lutamos pela aldeia amada

Mas viver na cidade
Não nos tira o direito se ser nação
Ter ancestralidade, sabedoria, cultura
Somos filhas de Nhanderú, Senerú, Nhandecy
O Brasil começou bem aqui ou será que foi ali

Não nos sentimos aculturadas
Temos a memória acesa
E vivemos a certeza de que nossa aldeia
Resistirá ao preconceito do invasor
Resistirá ao preconceito do invasor

Somos a voz que ecoa
Resistência? Sim senhor!

Amazônidas

Homenaje a las amazonas brasileñas, mujeres indígenas

Somos hijas de las orillas del río
Nietas de viejas curanderas
Diosas de la selva húmeda
Tenemos en el achiote la piel encarnada

Lavando ropa en el río, lavanderas
En el cuerpo un balanceo de bailarinas de carimbó
Tenemos la fuerza de la onza pintada
Luchamos por la amada aldea

Pero vivir en la ciudad
No nos quita el derecho de ser nación
Tener ancestralidad, sabiduría, cultura
Somos hijas de Nhanderú, Senerú, Nhandecy
Brasil comenzó bien aquí o tal vez fue allá

No nos sentimos aculturadas
Tenemos la memoria encendida
Y vivimos con la certeza de que nuestra aldea
Resistirá al prejuicio del invasor
Resistirá al prejuicio del invasor

Somos la voz que resuena
¿Resistencia? ¡Sí, señor!

Escrita por: Estela Ceregatti / Márcia Kambeba