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Damn Cocaine

Eugénia Melo e Castro

Maldita Cocaína

Não esqueço a noite fatal
Em que vi o meu amante
O olhar duro e tão brilhante
Como o aço de um punhal.

A sua boca mordia
Suas mãos eram tenazes
Deixando nódoas lilazes
No meu corpo que sofria.

Maldita cocaína que roubaste o meu
amante
Que p'ra sempre enlouqueceu
O teu poder fascina
És um corpo de Bacante
Com melodias de Orfeu
Maldita cocaína
Odeio-te e gosto de ti
És a minha companheira
Embora a mais traiçoeira
Que eu amei e conheci.

Hoje não posso deixar
Esse pó de maldição
Vivo da sua ilusão
Acordada e a sonhar.

A vida instante a instante
Sinto que me vai roubando
Mas ai de mim é sonhando
Que me dou ao meu amante.

Maldita cocaína que roubaste o meu
amante
Que p'ra sempre enlouqueceu
O teu poder fascina
És um corpo de Bacante
Com melodias de Orfeu
Maldita cocaína
Odeio-te e gosto de ti
És a minha companheira
Embora a mais traiçoeira
Que eu amei e conheci.

Damn Cocaine

I can't forget the fatal night
When I saw my lover
His gaze hard and so bright
Like the steel of a dagger.

His mouth biting
His hands were tenacious
Leaving lilac stains
On my suffering body.

Damn cocaine that stole my lover
Who forever went insane
Your power fascinates
You're a Bacchante's body
With Orpheus' melodies
Damn cocaine
I hate you and I like you
You're my companion
Although the most treacherous
That I loved and knew.

Today I can't let go
Of this cursed powder
Living in its illusion
Awake and dreaming.

Life moment by moment
I feel it stealing from me
But alas, it's dreaming
That I give myself to my lover.

Damn cocaine that stole my lover
Who forever went insane
Your power fascinates
You're a Bacchante's body
With Orpheus' melodies
Damn cocaine
I hate you and I like you
You're my companion
Although the most treacherous
That I loved and knew.

Escrita por: Almeida Amaral / Cruz / Sousa