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Cantar

Eugénia Melo e Castro

Cantar

Cantar!
Não há ninguém que não cante
Mesmo em silêncio - ninguém!
E às vezes a gente canta
Sem vontade, sem prazer,
Apenas para mostrar
Que a vida sem esse além
Não tem uma razão de ser.

Cantar para dissuadir
Os venenos do ciúme
Ou para ficarmos sós
Com a nossa consciência.
É sempre som que se espalha
E fica na eternidade
Desse momento vivido.

Nas sombras de uma saudade
Há sempre a visão amarga
De um coração iludido.
Cantar! Resumo liberto
De tudo que anda a viver,
E o mundo cabe inteirinho
Numa nota musical
Que se escapoa da garganta
De quem canta o que souber.

Cantar

Cantar!
No hay nadie que no cante
Incluso en silencio - ¡nadie!
Y a veces uno canta
Sin ganas, sin placer,
Solo para mostrar
Que la vida sin ese más allá
No tiene razón de ser.

Cantar para disuadir
Los venenos del celos
O para quedarnos solos
Con nuestra conciencia.
Siempre es un sonido que se expande
Y queda en la eternidad
De ese momento vivido.

En las sombras de una añoranza
Siempre está la visión amarga
De un corazón ilusionado.
¡Cantar! Resumen liberado
De todo lo que se vive,
Y el mundo cabe completito
En una nota musical
Que se escapa de la garganta
De quien canta lo que sabe.

Escrita por: António Botto / Wagner Tiso