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Dos Amores

Eugenio Leandro

Dois Amor

Eu era dois currupio
Dois braços do mesmo rio
A correnteza era eu
Eu era porta e janela
Eu era eu era ela
Um caso que assucedeu
Um cravo que a cidade
Fez partir pela metade
E cada parte morreu

Coração sem cor é aço
Cantador sem canto é dor
Matuto sem mato é tudo
Só não é mais dois amor

Você tá me vendo não
Você só tá vendo o oco
Vulto de fogo apagado
Toco de vela sem luz
Você tá me vendo não
Foi será cancão de fogo
Reimundo desparecido
Foi será prisnpo das águas
Clarimundo desclarido
Você tá me vendo não

Negro zumbindo no dia
Zua meu preto zumbi
Feito marmota de rua
Visagem faz por aqui
Espelho cego me trouxe
Encantado como fosse
Desencanto de saci
E esse meu penar endêmico
De suor lacrimogênico
Foi será a juriti

O que você tá me vendo
É a chapa negativa
Rasga-mortalha de asfalto
Alma penada cativa
Você não me vê o rosto
Só me arrepara o encosto
Da poeira radioativa
Nâo soube, nem saberá
O que foi sempre será
Dois amor de brasa viva

Dos Amores

Yo era dos corriente
Dos brazos del mismo río
La corriente era yo
Yo era puerta y ventana
Yo era yo era ella
Un caso que sucedió
Un clavo que la ciudad
Partió por la mitad
Y cada parte murió

Corazón sin color es acero
Cantante sin canto es dolor
Campesino sin campo es todo
Solo no es más dos amores

¿Me estás viendo no?
Solo estás viendo el vacío
Figura de fuego apagado
Trozo de vela sin luz
¿Me estás viendo no?
Fue será canción de fuego
Reimundo desaparecido
Fue será prisionero de las aguas
Clarimundo deslucido
¿Me estás viendo no?

Negro zumbando en el día
Zumba mi negro zombi
Como marmota de calle
Aparición hace por aquí
Espejo ciego me trajo
Encantado como si fuera
Desencanto de saci
Y este mi sufrir endémico
De sudor lacrimógeno
Fue será la juriti

Lo que estás viendo de mí
Es la placa negativa
Rasga mortaja de asfalto
Alma penada cautiva
No ves mi rostro
Solo notas el respaldo
Del polvo radioactivo
No supo, ni sabrá
Lo que fue siempre será
Dos amores de brasa viva

Escrita por: Firmino Holanda e Oswald Barroso