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Consumir

Fabio Brazza

Consumir

Olha que legal!
Uma coisa que eu achei que não precisava
Mas agora eu preciso
Vou comprar!

A sociedade de consumo nos divide em castas
Tudo depende dos seus custos
Diga-me quanto gastas que lhe direi seus gostos, seus gestos
Sabemos bem o rosto de quem fica com os restos

A felicidade tá na promoção
Parcelada no cartão
Ter ou não ser, eis a questão!
Consumo, logo existo!
Se eu não consumo, eu sumo
Quem sou eu por trás da roupa que eu visto?
Se apague ou se vista
Pague à vista ou divida
De mastercard ou de visa
Qual é o seu plano de vida?
Aí você se endivida por um sonho que nunca foi seu
Mas o produto que a propaganda te vendeu
Assista! É isso que eles querem: Fabricar vontades
Deixar o povo preso nas futilidades
Despolitizá-los
Criar consumidores ao invés de pensadores
Assim podem dominá-los!
Não mais reprimir seus desejos, mas realizá-los!
Essa é a moderna ciência da alienação
Somos liquidados a cada liquidação
Somos consumidos conforme consumimos
É fato consumado!
E lá vamos nós como gados
A caminho do matadouro nessa caça ao tesouro
Esperando a faca do consumo nos tirar o couro
Nos deixar sem cara e o que resta é só a carapaça oca de uma vida pouca
Faço rimas pra marcar na alma, deixo pra outros rappers falarem das marcas de roupa
Sou mais black alien do que black Friday
Sexta-feira crazy, ou melhor, sexta-feira 13
Você quer morrer em quantas vezes? Quantos meses? Hein?
Seria esse o plano da revolução dos burgueses?

Proteja-me daquilo que eu quero
Eles podem usar isso contra mim!
Proteja-me daquilo que eu quero
Às vezes o que eu quero pode ser meu fim!
Páscoa, aniversário, natal
Só mais um dia do calendário comercial
Somos meros produtos numa estante
O nosso semelhante é visto como rival
Proteja-me daquilo que eu quero
Buscamos uma fuga quando o peito dói
Proteja-me daquilo que eu quero
O que muito nos distrai nos destrói!
O que a gente consome também nos consome!
Não encha meu prato, me deixa um pouco com fome!
Pois o segredo da vontade de viver que me assalta
Não está na vida farta, mas na vida que me falta!

Você precisa se perguntar?
O quê?
O que importa!

Consumir

¡Mira qué genial!
Algo que pensé que no necesitaba
Pero ahora lo necesito
¡Lo compraré!

La sociedad de consumo nos divide en castas
Todo depende de tus costos
Dime cuánto gastas y te diré tus gustos, tus gestos
Conocemos bien la cara de quien se queda con los restos

La felicidad está en la promoción
¡A plazos con la tarjeta!
¡Tener o no ser, esa es la cuestión!
¡Consumo, luego existo!
Si no consumo, desaparezco
¿Quién soy detrás de la ropa que visto?
Apágate o vístete
Paga al contado o endeúdate
Con Mastercard o Visa
¿Cuál es tu plan de vida?
Ahí te endeudas por un sueño que nunca fue tuyo
Pero el producto que la publicidad te vendió
¡Mira! Eso es lo que quieren: Fabricar deseos
Dejar al pueblo atrapado en futilidades
Despolitizarlos
Crear consumidores en lugar de pensadores
¡Así pueden dominarlos!
¡Ya no reprimen tus deseos, sino que los realizan!
Esta es la moderna ciencia de la alienación
¡Somos liquidados en cada liquidación!
¡Somos consumidos a medida que consumimos
¡Es un hecho consumado!
Y allá vamos como ganado
Camino al matadero en esta caza del tesoro
Esperando que el cuchillo del consumo nos quite la piel
Dejándonos sin rostro y lo que queda es solo la cáscara vacía de una vida escasa
Hago rimas para marcar en el alma, dejo que otros raperos hablen de las marcas de ropa
Soy más alien negro que Viernes Negro
Viernes loco, o mejor dicho, viernes 13
¿Cuántas veces quieres morir? ¿Cuántos meses? ¿Eh?
¿Será este el plan de la revolución de los burgueses?

¡Protégeme de lo que quiero!
¡Pueden usarlo en mi contra!
¡Protégeme de lo que quiero!
¡A veces lo que quiero puede ser mi fin!
Pascua, cumpleaños, Navidad
Solo otro día del calendario comercial
Somos simples productos en un estante
Nuestro semejante es visto como rival
¡Protégeme de lo que quiero!
Buscamos una escapatoria cuando el pecho duele
¡Protégeme de lo que quiero!
¡Lo que nos distrae mucho nos destruye!
¡Lo que consumimos también nos consume!
¡No llenes mi plato, déjame un poco hambriento!
Porque el secreto del deseo de vivir que me asalta
¡No está en la vida abundante, sino en la vida que me falta!

¿Necesitas preguntarte algo?
¿Qué?
¡Lo que importa!

Escrita por: Fábio Brazza