395px

Lisboa no seas racista

Fado Bicha

Lisboa Não Sejas Racista

Dizes que não és racista
Senhora Lisboa
Vou dar-te só uma pista
E olha que não falo à toa
Lembras-te do quanto
Chutaste para canto
Quem filho do Império fora?
Bastardos serão, portanto
Do Jamaica à Cova da Moura

Lisboa, não sejas racista
De visão simplista
Só te fica mal
Lisboa, a Joacine diz-te
O racismo persiste
Porque é estrutural
Lisboa, mas sempre na berra
Ouves-te a falar?
Lisboa, não sejas racista
Um psicanalista
Podia ajudar

Revisita a tua história
Senhora Lisboa
Aprende a quem deves memória
Os caídos da tua coroa
Mas ouvi dizer
Que agora queres fazer
Um museu da lusa aventura
Chega de enaltecer
Um império assente em escravatura

Lisboa, não sejas racista
Colonialista
De civismo à Brás
Lisboa, destino traçado
Na escola colado
À mesa de trás
Lisboa, limpa por mulheres
Às quais não conferes
Direito a sonhar
Lisboa, não sejas racista
É tão quinhentista
Vê se mudas de ar

Lembra sempre o bom Alcindo
Lisboa, na praça
Tempos maus vejo aí vindo
Pela corja do dia da raça
Que agora ri
No sofá da TVI
A falar bem do Salazar
São opiniões, é só um nazi
Não vês mal em normalizar

Lisboa, não sejas racista
Sorriso trocista
Às queixas que há
Lisboa, celebra a Beatriz
O que a mulher negra diz
E o Mamadou Ba
Lisboa, com ecos de PIDE
A vir de Alfragide
Segurança pra quem?
Lisboa, não sejas racista
Cassetete fascista
É bosta e bem

Lisboa, não sejas racista
Não é só pra turista
Vir e ocupar
Lisboa, não sejas racista
Velha cavaquista
Não queiras voltar
Lisboa, não sejas racista
E crê que esta lista
Não vai amansar
Lisboa, não vives não falas
Tira-me essas palas
E aprende a escutar

Lisboa no seas racista

Usted dice que no eres un racista
Dama de Lisboa
Sólo voy a darte una pista
Y yo no hablo por nada
¿Recuerdas cuánto
Te pateaste a la esquina
¿Quién hijo del Imperio fuera?
Por lo tanto, los bastardos serán
De Jamaica a Cova da Moura

Lisboa, no seas racista
De punto de vista simplista
Se ve mal para ti
Lisboa, Joacine te dice
El racismo persiste
Porque es estructural
Lisboa, pero siempre en el grito
¿Te oyes hablar?
Lisboa, no seas racista
Un psicoanalista
Podría ayudar

Revisita tu historia
Dama de Lisboa
Aprende a quién debes memoria
Los caídos de tu corona
Pero he oído
Que ahora quieres hacer
Un museo de la aventura lusa
Suficiente para alabar
Un imperio basado en la esclavitud

Lisboa, no seas racista
Colonialista
Del civismo a Brás
Lisboa, destino establecido
En la escuela pegado
A la mesa de atrás
Lisboa, limpio por las mujeres
A la que no le confieren
Derecho a soñar
Lisboa, no seas racista
Es tan quintentista
Mira si cambias el aire

Recuerda siempre el buen Alcindo
Lisboa, en la plaza
Malos tiempos lo veo venir
Por la Carrera del Día de la Carrera
¿Quién ahora se ríe?
En el sofá de TVI
Hablando bien de Salazar
Son opiniones. Es sólo un nazi
Usted no ve ningún daño en la normalización

Lisboa, no seas racista
Sonrisa trocista
A las quejas de que hay
Lisboa, celebra Beatriz
Lo que dice la mujer negra
Y Mamadou Ba
Lisboa, con ecos de PIDE
Viniendo de Alfragide
¿Seguridad para quién?
Lisboa, no seas racista
Nassette fascista
Es basura y bueno

Lisboa, no seas racista
No es sólo para turistas
Ven y ocupa
Lisboa, no seas racista
Cavaquista Viejo
No quieres volver
Lisboa, no seas racista
¿Y crees que esta lista
No domará
Lisbon, no vives, no hablas
Quítame esos parches
Y aprende a escuchar

Escrita por: Lila Fadista