Pedro Pobre Paulo Rico
Essa calma absurda um dia vai me dar
Uma enxaqueca brava
Passa a hora no relógio e o que eu escuto ai
Só são perguntas e respostas
Retas, sem um requinte cruel sequer
Ai que inveja
Desacostumei de ter a paz morando ao lado
Do apartamento
Cargas d'água um dia esse fulano vai dizer
Perdoa essa mania feia de acalmar
Só que eu não tenho motivo pra esbravejar
Somos só recém casados
Não liga não
Pedro pobre Paulo rico dois vizinhos tão distintos
Uma esposa é gorda outra esposa é magrinha tão fininha
Um casal do lado quebra o pau é toda hora todo mundo escuta
E o outro troca caricias de amor até na hora de dormir
Essa pegação de pé um dia vai me dar
Uma dor de cabeça
Passa a hora no relógio e só vem reclamar
Que eu não faço barulho que absurdo
Isso é inveja, porque sempre que eu saio
Vocês estão se estranhando
Desacostumei de ser um cara esquentado
Do lugar que venho
Cargas d'água um dia esse vizinho gordo vai
Pedir desculpas por me acusar de tesourinha
Só porque você é quieto e o prédio inteiro
Assiste a baixaria que eu faço nesse quarto
Da meia noite as seis
Pedro pobre Paulo rico duas figuras diferentes
Uma esposa quebra a unha a outra é formosa tão vistosa
Um casal do lado enche o saco é toda hora só o vizinho escuta
E o outro troca beijos bem macios, tão baixinhos, tão comportados
Ah! Se um dia esse vizinho chiar eu vou mandar ele pra tonga da mironga do kabuletê
Ah! Esse velho com mania de mocinho está me tirando a paz... Me deixando com a água no pescoço
Ô desgraçado, venha aqui do outro lado e vê se para de jogar laranja da janela essa fruta que é tão bela
Joga a mãe, experimenta se ela passa na janela
Aquela gorda tão singela
E sua esposa que é tão bela
Toda cheia e banguela
Que não encaixa nem tigela
Nem no fundo da panela
Dá pra comer!
Pedro Pobre Paulo Rico
Esta calma absurda algún día me dará
Un fuerte dolor de cabeza
El reloj marca las horas y lo que escucho ahí
Son solo preguntas y respuestas
Directas, sin un toque cruel siquiera
Qué envidia
Me desacostumbré a tener la paz viviendo al lado
Del apartamento
Un día este tipo de las cargas de agua dirá
Perdona esta fea costumbre de tranquilizarme
Pero no tengo motivo para enojarme
Apenas somos recién casados
No te preocupes
Pedro pobre Paulo rico dos vecinos tan diferentes
Una esposa es gorda, la otra es delgada y tan fina
Una pareja pelea al lado, se escucha todo el tiempo
Y la otra se demuestra amor incluso al dormir
Esta molestia constante algún día me dará
Un dolor de cabeza
El reloj marca las horas y solo se queja
De que no hago ruido, qué absurdo
Es envidia, porque siempre que salgo
Ustedes están peleando
Me desacostumbré a ser un tipo temperamental
Del lugar de donde vengo
Un día este vecino gordo de las cargas de agua
Pedirá disculpas por acusarme de chismoso
Solo porque eres callado y todo el edificio
Escucha el escándalo que hago en esta habitación
De medianoche a las seis
Pedro pobre Paulo rico dos figuras diferentes
Una esposa se rompe una uña, la otra es hermosa y llamativa
Una pareja al lado molesta todo el tiempo, solo el vecino escucha
Y la otra se besa suavemente, tan silenciosos, tan comedidos
¡Ah! Si un día este vecino se queja, lo mandaré lejos
¡Ah! Este viejo con aires de joven me está quitando la paz... Me está dejando en aprietos
Maldito, ven aquí al otro lado y deja de tirar naranjas por la ventana, esa fruta tan hermosa
Tira a tu madre, a ver si pasa por la ventana
Esa gorda tan sencilla
Y tu esposa tan hermosa
Tan llena y desdentada
Que no encaja ni en un tazón
Ni en el fondo de una olla
¡Se puede comer!