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Cabo Toco

Fátima Gimenez

Cabo Toco

Foi no lombo de um cavalo que descobri horizontes
Em vez de vestir bonecas andei gritando repontes
Entrei de frente na história e acredite quem quiser
Em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher
Em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher

(Me chamam de Cabo Toco
Sou guerreira, sou valente
Do Primeiro Regimento
Enfermeira e combatente

Me chamam de Cabo Toco
Só não sabe quem não quer
/Debaixo do talabarte
Há um coração de mulher/)

Lutei contra Honório Lemes na serra do Caverá
Na ponte do Alegrete meu fuzil estava lá
Enfrentei o Zeca Neto sem temor da "colorada"
Anita sem Garibaldi, já nasci emancipada
Anita sem Garibaldi, já nasci emancipada

(Me chamam de Cabo Toco
Sou guerreira, sou valente
Do Primeiro Regimento
Enfermeira e combatente

Me chamam de Cabo Toco
Só não sabe quem não quer
/Debaixo do talabarte
Há um coração de mulher/)

A velhice me encontrou com a miséria na soleira
A ver a vida por frestas num subúrbio de cachoeira
Digo aos curiosos que trazem ajudas interessadas
Que não quero caridade quero justiça e mais nada
Que não quero caridade quero justiça e mais nada

Cabo Toco

Fue en el lomo de un caballo que descubrí horizontes
En lugar de vestir muñecas, gritaba a los cuatro vientos
Entré de lleno en la historia y que lo crea quien quiera
En veintitrés fui soldado sin dejar de ser mujer
En veintitrés fui soldado sin dejar de ser mujer

(Me llaman Cabo Toco
Soy guerrera, soy valiente
Del Primer Regimiento
Enfermera y combatiente

Me llaman Cabo Toco
Solo no sabe quien no quiere
Debajo del cartuchera
Hay un corazón de mujer)

Luché contra Honório Lemes en la sierra de Caverá
En el puente de Alegrete, mi fusil estaba allí
Enfrenté a Zeca Neto sin temor al 'colorado'
Anita sin Garibaldi, ya nací emancipada
Anita sin Garibaldi, ya nací emancipada

(Me llaman Cabo Toco
Soy guerrera, soy valiente
Del Primer Regimiento
Enfermera y combatiente

Me llaman Cabo Toco
Solo no sabe quien no quiere
Debajo del cartuchera
Hay un corazón de mujer)

La vejez me encontró con la miseria en el umbral
Viendo la vida a través de rendijas en un suburbio de cascada
Les digo a los curiosos que traen ayudas interesadas
Que no quiero caridad, quiero justicia y nada más
Que no quiero caridad, quiero justicia y nada más

Escrita por: Nilo Bairros De Brum / Heleno Gimenez