Foi Por Ela
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo, hoje e sempre, ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz, Madrid, Paris, Bruxelas, quem alcança?
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dou rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair, minha nação, nos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que gera plantas também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo por coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim, como um trintão, subindo rios
que dão forma, como um deus, ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo, hoje e sempre, ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz, Paris, Berlin, Bruxelas, quem alcança?
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dou rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Era para ella
Es por ella que me voy mañana
ayer, hoy y siempre, todavía ahora
siempre lo mismo delante del mar también me cansa
dice, Madrid, París, Bruselas, ¿quién llega?
en Lisboa es el Tajo mirando barcos
Le doy rossios guitarra a la ventana
Fue por ella que ya bailé el vals en los extremos
que fui a través de mis cuentas era para ella
Fue por ella que estaba vestida con chándales
en lugar de esa colorida manga corta
si te vas, mi nación, en los titulares
todavía cansante de frío afectado
pero el calor que genera las plantas también
y desangras el sentido tropical en la solapa
Era para ella que llevaba traje y corbata
Ni siquiera necesito que el sol fuera para ella
Es ella a quien paso cosas serias
y pasé pasando las pasas del Algarve
con tantos milagros sagrados todo el año
fue por milagro que incluso nací impío
y vengo así, como treinta, treinando ríos
que forma, como un dios, su rostro
Fue por ella que dejé de ser quien era
sin saber lo que me espera era para ella
Es por ella que me voy mañana
ayer, hoy y siempre, todavía ahora
siempre lo mismo delante del mar también me cansa
dice, París, Berlín, Bruselas, ¿a quién llega?
en Lisboa es el Tajo mirando barcos
Le doy rossios guitarra a la ventana
Fue por ella que ya bailé el vals en los extremos
que fui a través de mis cuentas era para ella
Escrita por: Fausto Bordalo Dias