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João da Silva

Fernando Chuí

João da Silva

Se em cada dia que eu levando
Eu não de onde sai à força
Talvez do sorrir da moça,
Ou de mim mesmo,
Que é um espanto
Eu tô de pé, eu lhe garanto

Se lhe parece eu tô na merda
Eu agüento água
Eu agüento pedra
Eu vou no osso e na saliva
Mas eu tô vivinho da Silva
Porque eu sou duro na queda
Mas eu tô vivinho da Silva
Porque eu sou duro na queda

Se a cada caminho que eu traço
É redobrado meu esforço
Eu já tô no fundo do poço
Eu perco a mão,
Eu perco um braço
Eu dou outro nome ao cansaço

Se lhe parece eu tô morrendo
Eu dou a luz
Eu surpreendo
Eu tô no talo
Eu tô na ativa
Continuo vivinho da Silva
Sou do mundo reverendo
Mas eu tô vivinho da Silva
Sou do mundo revendo

Se a cada trilha que eu percorro
Eu vou compondo a identidade
É do sertão ou da cidade
É o vão da estrada
É lá no morro
Fica, eu pego
Suja, eu corro
Suja, eu corro, meu irmão

Se lhe parece eu tô na seca
Eu furo a fonte
Eu pulo a cerca
Eu tô no campo
Eu tô na estiva
O meu nome é João da Silva
Até que o mundo, então, me perca

Eu tô no campo
Eu tô na estiva
Cê não quer não, nego
Se esquiva
Eu sou nativo
Eu tô na ativa
Eu rodo a bolsa e a baiana em cada esquina
Eu rodo a bolsa e a baiana em cada esquina

Anti-herói, anti-herói sou eu sobrevivo

João da Silva

En cada día que me levanto
No sé de dónde saco la fuerza
Quizás de la sonrisa de la chica,
O de mí mismo,
Que es un asombro
Estoy de pie, te lo aseguro

Si parece que estoy jodido
Aguanto el agua
Aguanto la piedra
Voy en los huesos y en la saliva
Pero estoy bien vivo, de la Silva
Porque soy duro de pelar
Pero estoy bien vivo, de la Silva
Porque soy duro de pelar

Si en cada camino que trazo
Se duplica mi esfuerzo
Ya estoy en el fondo del pozo
Pierdo la mano,
Pierdo un brazo
Le doy otro nombre al cansancio

Si parece que me estoy muriendo
Doy a luz
Sorprendo
Estoy al límite
Estoy en acción
Sigo bien vivo, de la Silva
Soy del mundo reverendo
Pero sigo bien vivo, de la Silva
Soy del mundo reviendo

Si en cada sendero que recorro
Voy componiendo mi identidad
Es del campo o de la ciudad
Es el vacío de la carretera
Es allá en el cerro
Me quedo, agarro
Sucio, corro
Sucio, corro, hermano

Si parece que estoy en sequía
Perforo el pozo
Salto la cerca
Estoy en el campo
Estoy en la estiba
Mi nombre es João da Silva
Hasta que el mundo, entonces, me pierda

Estoy en el campo
Estoy en la estiba
Si no quieres, hermano
Te esquivas
Soy nativo
Estoy en acción
Giro la bolsa y la baiana en cada esquina
Giro la bolsa y la baiana en cada esquina

Anti-héroe, anti-héroe soy yo, sobrevivo

Escrita por: Fernando Chuí