Sótão da Amendoeira
Naquele típico sótão
Sob as telhas mais antigas
Da Rua da Amendoeira
Inda há traços que denotam
O sabor dado às cantigas
Pla Matilde cantadeira
Airosa mas inconstante
A Matilde dava ao Fado
A graça de outros estilos
No velho café cantante
Que ficava mesmo ao lado
Da Estalagem dos Camilos
No sótão esconso e sujo
Três sombras, porte ufano
Espreitam a Mouraria
As lágrimas dum Marujo
Os ciúmes dum Cigano
E os remorsos de um Rufia
Senti presos os meus pés
Mas desviei o caminho
E quedei-me ali à beira
Só para ver outra vez
Aquele sótão velhinho
Da rua da Amendoeira
Dachboden der Mandelbaumstraße
In diesem typischen Dachboden
Unter den ältesten Ziegeln
Der Mandelbaumstraße
Gibt es noch Spuren, die zeigen
Den Geschmack, der den Liedern gegeben wurde
Für Matilde, die Sängerin
Anmutig, aber unbeständig
Gab Matilde dem Fado
Die Anmut anderer Stile
Im alten Gesangscafé
Das direkt daneben lag
Der Herberge der Camilos
Im schmuddeligen, versteckten Dachboden
Drei Schatten, stolz und erhaben
Lauern auf die Mouraria
Die Tränen eines Matrosen
Die Eifersucht eines Zigeuners
Und die Gewissensbisse eines Halunken
Ich fühlte meine Füße gefangen
Doch ich lenkte den Weg ab
Und blieb dort am Rand stehen
Nur um noch einmal zu sehen
Diesen alten Dachboden
Der Mandelbaumstraße