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Madre

Fernando Mendes

Mãe

Palavras, calas, nada fiz.
Estou tão infeliz.
Falasses, desses, visses, não...
Imensa, solidão.

Eu sou um rei que não tem fim.
E brilhas dentro aqui.
Guitarras, salas, ventos, chão...
Que dor no coração.

Cidades, mares, povo, rio...
Ninguém me tem amor.
Cigarras, camas, colo, mimos...
Um pouco de calor.

Eu sou um homem tão sozinho.
Mais brilhas do que sou.
E o meu caminho, e o teu caminho.
É um, nem vais, nem vou.

Meninos, ondas, becos, mãe...
E só porque não estás.
És para mim que nada mais
Na boca das manhãs.

Sou triste, quase um bicho triste.
E brilhas mesmo assim.
Eu canto, grito, corro , rio...
E nunca chego aqui.

Madre

Palabras, callas, nada hice.
Estoy tan infeliz.
Hablaras, dieras, vieras, no...
Inmensa soledad.

Soy un rey sin fin.
Y brillas dentro de mí.
Guitarras, salas, vientos, suelo...
Qué dolor en el corazón.

Ciudades, mares, gente, río...
Nadie me tiene amor.
Cigarras, camas, abrazos, cariños...
Un poco de calor.

Soy un hombre tan solo.
Brillas más de lo que soy.
Y mi camino, y tu camino.
Es uno, ni vas, ni voy.

Niños, olas, callejones, madre...
Y solo porque no estás.
Eres para mí que nada más
En la boca de las mañanas.

Soy triste, casi un bicho triste.
Y brillas aún así.
Canto, grito, corro, río...
Y nunca llego aquí.

Escrita por: Caetano Veloso