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Por los Jardines de la Ciudad

Fernando Pellon

Pelos Jardins da Cidade

Não cuido mais nem de mim
Nem mesmo sei que dia é hoje
E o que me vai por dentro
Não adivinho, não deduzo

Talvez
Seja falta de carinho ou de barulho
Seja falta de vergonha ou de remorso
Tudo que é torto, troncho, descabido, enorme
Tudo que é tão triste
Tão triste, amor

Eu vou
Sorrindo e não escovei os dentes
Não cortei as unhas
Nem aparei os cabelos
A minha imagem no espelho
Me diz que eu tô vivo
E nem quero saber qual a tua opinião

Que eu sei que transo loucuras
Em meio a fel, café com leite, alcatrão
Entro pela rua que vai me levar
À casa daquela ingrata
E eu nunca vou chegar
Descolo uma nota preta, uma mulher barata

Eu curto e descurto
Eu ponho e desponho
Eu faço e desfaço
A minha solidão
E enfim é assim que me salvo
É assim que me viro e reviro
O resto é morte, contração cadavérica
Bom gosto
Putrefação

Por los Jardines de la Ciudad

Ya no me preocupo ni por mí
Ni siquiera sé qué día es hoy
Y lo que me pasa por dentro
No lo adivino, no lo deduzco

Quizás
Sea falta de cariño o de ruido
Sea falta de vergüenza o de remordimiento
Todo lo que está torcido, chueco, desatinado, enorme
Todo lo que es tan triste
Tan triste, amor

Yo voy
Sonriendo y no me cepillé los dientes
No me corté las uñas
Ni me arreglé el cabello
Mi imagen en el espejo
Me dice que estoy vivo
Y ni siquiera quiero saber tu opinión

Porque sé que hago locuras
En medio de hiel, café con leche, alquitrán
Entro por la calle que me llevará
A la casa de esa ingrata
Y nunca llegaré
Consigo un billete negro, una mujer barata

Disfruto y desdisfruto
Pongo y despongo
Hago y deshago
Mi soledad
Y así es como me salvo
Es así como me doy vuelta y revuelta
El resto es muerte, contracción cadavérica
Buen gusto
Putrefacción

Escrita por: Fernando Pellon / Roberto Bozzetti