Voz Afiada
Voz afiada em pedra que amola faca
Língua de navalha noite sem orvalho
Voz de chumbo, céu de tempestade
Viagem cansada no casco do cavalo
Voz de cego clareando a escuridão
Rio sem vida correndo na imensidão
Riacho fundo, ecos de maldição,
Cabeça de jagunço podre no chão
Da la lá lá da lá lá lá
Da la lá lá da lá lá lá
Amor fora do peito, cisma de cigano
Um dia morto, um outro em desengano
Memoria seca, pele sem lisura
Saudade enrugada no casco do boi
Voz afiada em um céu de fim de mundo
Nuvem tecida em teia de fornalha
Faca de ponta, silêncio de tucaia,
Voz de vingança nas patas da traição
Da la lá lá da lá lá lá
Da la lá lá da lá lá lá
Voz Afilada
Voz afilada en piedra que afila cuchillo
Lengua de navaja noche sin rocío
Voz de plomo, cielo de tormenta
Viaje cansado en el casco del caballo
Voz de ciego iluminando la oscuridad
Río sin vida corriendo en la inmensidad
Arroyo profundo, ecos de maldición
Cabeza de bandido podrido en el suelo
Da la lá lá da lá lá lá
Da la lá lá da lá lá lá
Amor fuera del pecho, pensamiento de gitano
Un día muerto, otro en desengaño
Memoria seca, piel sin suavidad
Nostalgia arrugada en el casco del toro
Voz afilada en un cielo de fin del mundo
Nube tejida en tela de fragua
Cuchillo afilado, silencio de tuca
Voz de venganza en las patas de la traición
Da la lá lá da lá lá lá
Da la lá lá da lá lá lá
Escrita por: Fernando Perillo / Leonardo Carmo