Saudade
Oh, Senhor! Nada há que quebre
Em meu cérebro essa tétrica ideia
Nem que apague me na veia
Essa extraordinária febre?!
Nem sei o que tenho, triste
Sem luz, sem crença, sem calma
Pressinto que na minha alma
Um grande mistério existe
Às vezes sublime cresce
De meu peito na negrura
A luz da crença
E murmura
Meu lábio as dulias da prece
Às vezes rija titânica
Me verga a vertigem e rouca
Ri e chora me na boca
Uma gargalhada Satânica
Às vezes da Soledade
Nas frias névoas se embuça
Minha alma e flébil soluça
Sobre o seio da saudade
Saudade
Oh, Señor! Nada hay que rompa
En mi cerebro esa tétrica idea
Ni que me borre en la vena
¿Esta extraordinaria fiebre?!
No sé lo que tengo, triste
Sin luz, sin fe, sin calma
Presiento que en mi alma
Existe un gran misterio
A veces sublime crece
Desde mi pecho en la oscuridad
La luz de la fe
Y murmura
Mi labio las dulzuras de la oración
A veces fuerte titánica
Me dobla el vértigo y ronca
Ríe y llora en mi boca
Una carcajada Satánica
A veces de la Soledad
En las frías nieblas se oculta
Mi alma y débil solloza
Sobre el seno de la saudade
Escrita por: Euclides da Cunha / Fernando Santos Cunha