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Hambrienta

Flaira Ferro

Faminta

Ah, ah, ah, uh, ah, ah, ah
Ah, ah, uh, ah, ah

Eu não peço licença pra chegar
Eu não sou obrigada
Sou filha de Oxum com Yemanjá
Alfange, espelho, espada

Sou raiva e calma ao mesmo tempo
E raiva eu sinto mais
Por tudo que me aconteceu
E o que aconteceu aos meus ancestrais

Não abaixo a cabeça pra nada
Não bato os meus pés no tapete
Insisto não sou obrigada
Eu como com a mão o meu próprio banquete

Eu tenho fome
Eu sou faminta
Eu quero comer você
Eu quero comer a vida
Nham, nham, nham

Sou camaleoa elegante
Me adapto se for preciso
Tenho um repertório gigante
Pra lidar com todo tipo de narciso

Não gasto energia e saliva
Com gente quadrada na linha
Pra mala sou inofensiva
Me faço de santa, donzela, fofinha

Eu canto suave
Eu não desafino
Eu faço tudo certinho

Mas é tanta raiva aqui dentro
Não dá pra ser acostumada
Herdei dos antigos e sei direitinho
A história que não foi contada

E a história é minha, porra
Eu tô cansada
Eu faço meu trampo direito
Pra macho dizer que não tô preparada

Não tenho deslumbre com nomes
Invento o meu ritual
Boto a boca no microfone
Se não me tratar de igual pra igual

Não nasci pra ter sonho pequeno
Sou vanguarda na era do pós
Tenho a força do meu pensamento
E carrego a mudança que sou porta-voz

Eu vou cantar por mim
Por minha mãe
Por minha avó
Por minha bisa

As coisas que elas um dia
Calaram
Sofreram
Lutaram
E morreram
Pra que hoje eu esteja viva

Eu quero que vocês explodam
Explodam
Explodam
Explodam, corram
Se não desapareçam
Para o fundo das coisas
Que hoje eu tô
Virada na jiraya

Ah, ah, ah, uh, ah, ah, ah
Ah, ah, uh, ah, ah

Eu vou voar por aí
Explodam
Quero me divertir

Hambrienta

Ah, ah, ah, uh, ah, ah, ah
Ah, ah, uh, ah, ah

No pido permiso para llegar
No estoy obligada
Soy hija de Oxum con Yemanjá
Alfanje, espejo, espada

Soy ira y calma al mismo tiempo
Y más ira siento
Por todo lo que me ha pasado
Y lo que les pasó a mis ancestros

No bajo la cabeza ante nada
No golpeo mis pies en la alfombra
Insisto, no estoy obligada
Yo como con la mano mi propio banquete

Tengo hambre
Soy hambrienta
Quiero comerte a ti
Quiero comerme la vida
Ñam, ñam, ñam

Soy camaleónica y elegante
Me adapto si es necesario
Tengo un repertorio gigante
Para lidiar con todo tipo de narciso

No gasto energía y saliva
Con gente cuadrada en la línea
Para los pesados soy inofensiva
Me hago la santa, doncella, tierna

Canto suave
No desafino
Hago todo correctamente

Pero hay tanta ira aquí dentro
No puedo acostumbrarme
Heredé de los antiguos y sé perfectamente
La historia que no fue contada

Y la historia es mía, carajo
Estoy cansada
Hago mi trabajo correctamente
Para que los hombres digan que no estoy preparada

No me deslumbro con nombres
Invento mi propio ritual
Pongo la boca en el micrófono
Si no me tratas de igual a igual

No nací para tener sueños pequeños
Soy vanguardia en la era del pos
Tengo la fuerza de mi pensamiento
Y llevo el cambio del que soy portavoz

Voy a cantar por mí
Por mi madre
Por mi abuela
Por mi bisabuela

Las cosas que ellas un día
Callaron
Sufrieron
Lucharon
Y murieron
Para que hoy yo esté viva

Quiero que ustedes exploten
Exploten
Exploten
Exploten, corran
O desaparezcan
Hacia lo más profundo de las cosas
Porque hoy estoy
Convertida en la jiraya

Ah, ah, ah, uh, ah, ah, ah
Ah, ah, uh, ah, ah

Voy a volar por ahí
Exploten
Quiero divertirme

Escrita por: Flaira Ferro / Igor De Carvalho