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Cananá

Flávio José

Cananá

Êita, é o sertão que eu tenho
Almajarra do engenho
E um bom canaviá
Êita, o carreiro carreando
E o seu carro cantando
A canção do cananá (bis)

No meu sertão
Não tem choro, não tem fome
Não tem bicho lubisome
Não existe assombração
De manhãzinha
Quando o dia se sacode
Tem onça que pega bode
Velente que só o cão
Tem um cachorro
Lanzudo preto retinto
Pra tomar conta dos pinto
E espantar gavião (refrão)

Tem água boa
Descendo de morro abaixo
Pra se deitar no ricaho
E tem luz de vagalume
Um preto véio
Pra falar do que já foi
Brinquedo de pegar boi
Num matagal de perfume
Moça faceira
Dona de casa capaz
Mas é bonita demais
E pode matar de ciúmes (refrão)

A nossa lua
Traz de noite a luz do sol
O rádio traz futebol
E notícia de primeira
Tem a cigarra
Que trouxe a filosofia
De morrer de cantoria
É a nossa cantadeira
O papagaio
Com o seu verde esperança
É o cartão de lembrança
Da bandeira brasileira

Cananá

¡Vaya, es el campo que tengo
La plantación del ingenio
Y un buen cañaveral
¡Vaya, el carretero transportando
Y su carro cantando
La canción del cananá (bis)

En mi campo
No hay llanto, no hay hambre
No hay bicho tenebroso
No existen los espantos
Por la mañana
Cuando el día se despierta
Hay jaguares que cazan cabras
Valientes como el demonio
Hay un perro
Peludo, negro azabache
Para cuidar los pollitos
Y espantar a los gavilanes (estribillo)

Hay agua fresca
Bajando de la colina
Para acostarse en el arroyo
Y hay luz de luciérnaga
Un anciano negro
Para hablar de lo que fue
Juego de atrapar toros
En un bosque perfumado
Chica coqueta
Dueña de casa capaz
Pero es demasiado bonita
Y puede matar de celos (estribillo)

Nuestra luna
Trae de noche la luz del sol
La radio trae fútbol
Y noticias de primera
Está la cigarra
Que trajo la filosofía
De morir cantando
Es nuestra cantora
El loro
Con su verde esperanza
Es la tarjeta de recuerdo
De la bandera brasileña

Escrita por: Venancio, Aparicio Bolinha