A Sede do Peixe
Para o que o suor não me deu
O fogo do amor ensinou
Ser o barro embaixo do sol
Ser chuva lavrando sertão
Qual Aleijadinho de Sabará
E a semente das bananas
Para o que não tem solução
A sede do peixe ensinou
Não me vale a água do mar
Nem vinho, nem glória, navio
Nem o sal da língua que beija o frio
Nem ao menos toda raiva
Para o que não tem mais razão
A calma do louco ensinou
A dizer nada
Para o que não tem mais nada
A calma do louco ensinou
A dizer razão
La Sede del Pez
Para lo que el sudor no me dio
El fuego del amor enseñó
Ser el barro bajo el sol
Ser lluvia labrando el sertón
Como Aleijadinho de Sabará
Y la semilla de los plátanos
Para lo que no tiene solución
La sed del pez enseñó
No me vale el agua del mar
Ni vino, ni gloria, barco
Ni la sal de la lengua que besa el frío
Ni siquiera toda rabia
Para lo que ya no tiene razón
La calma del loco enseñó
A decir nada
Para lo que ya no tiene nada
La calma del loco enseñó
A decir razón
Escrita por: Márcio Borges / Milton Nascimento