395px

Una carta a mi esposa

Francis Lopes

Uma Carta a Minha Esposa

Querida o motivo desta
É somente pra lhe dar
As minhas simples notícias
E com elas revelar
Todas minhas aventuras
Sorrisos e amarguras
Depois que deixei meu lar

Aqui em São Paulo é bom
Já arranjei um emprego
Na firma de um alemão
Me dei bem com o galego
Amigos tenho a vontade
Mas toda hora a saudade
Vem carregar meu sossego

Eu só trabalho oito horas
Sem muito me esforçar
Descanso depois do almoço
Largo à tarde pra jantar
Saio direto ao barraco
Mas estou ficando fraco
De tanto lhe recordar

Em casa eu janto e me deito
Sem companhia de alguém
Às vezes dá meia-noite
E o sono que é bom não vem
Mais tarde eu cochilando
Quando adormeço é sonhando
Com os nossos filhos também

Sonho que vejo os meninos
Juntos com você na mesa
Tomando café com pão
E rindo com sua beleza
Acordo sem ver vocês
É aí mais uma vez
Que aumenta a minha tristeza

Bem cedo volto ao trabalho
Fico assim diariamente
Sem notícias do nordeste
E sem rever minha gente
Guardando dentro da alma
Saudade, pranto e descalma
Ausência e mágoa somente

Querida eu sinto saudade
Da nossa casinha bela
Daquelas nossas poltronas
E nossa linda janela
Que nos momentos risonhos
Eu lhe contava meus sonhos
Nós dois debruçados nela

Meu amor, eu não esqueço
Também dos nossos filhinhos
E os cavalinhos de pau
Que fiz pros meus molequinhos
Já que estou tão longe assim
Você dê aí por mim
Um beijo em nossos santinhos

Querida, eu não vou passar
Com vocês o carnaval
Nem são João, nem são Pedro
Mas me espere pro Natal
Que é quando eu vou de uma vez
Para ficar com vocês
Até o meu dia final

Por aqui vou terminando
De lhe contar meu maltrato
Mate aí sua saudade
Que aqui eu vou ver se mato
A dor que está me matando
Só mato se for beijando
A cópia do seu retrato

A dor que está me matando
Só mato se for beijando
A cópia do seu retrato

Una carta a mi esposa

Querida, la razón de esta
Es solo para darte
Mis simples noticias
Y con ellas revelar
Todas mis aventuras
Sonrisas y amarguras
Después de dejar mi hogar

Aquí en São Paulo está bien
Ya conseguí un trabajo
En la empresa de un alemán
Me llevo bien con el gallego
Tengo amigos a montones
Pero a cada momento la nostalgia
Viene a perturbar mi tranquilidad

Solo trabajo ocho horas
Sin esforzarme mucho
Descanso después del almuerzo
Salgo por la tarde a cenar
Voy directo al barraco
Pero me estoy debilitando
De tanto recordarte

En casa ceno y me acuesto
Sin compañía de nadie
A veces es medianoche
Y el sueño que es bueno no llega
Más tarde me quedo dormido
Cuando me duermo es soñando
Con nuestros hijos también

Sueño que veo a los niños
Junto contigo en la mesa
Tomando café con pan
Y riendo con tu belleza
Despierto sin verlos
Y ahí una vez más
Aumenta mi tristeza

Temprano vuelvo al trabajo
Así paso mis días
Sin noticias del noreste
Y sin ver a mi gente
Guardando en el alma
Nostalgia, llanto y desasosiego
Ausencia y amargura solamente

Querida, extraño
Nuestra hermosa casita
Esos sillones nuestros
Y nuestra hermosa ventana
Donde en momentos felices
Te contaba mis sueños
Los dos inclinados en ella

Mi amor, no olvido
Tampoco a nuestros pequeños
Y los caballitos de palo
Que hice para mis chiquillos
Ya que estoy tan lejos así
Tú dales un beso por mí
A nuestros santitos

Querida, no pasaré
El carnaval con ustedes
Ni San Juan, ni San Pedro
Pero espérame para Navidad
Que es cuando iré de una vez
Para quedarme con ustedes
Hasta mi último día

Aquí termino
De contarte mi sufrimiento
Mata ahí tu nostalgia
Que aquí veré si mato
El dolor que me está matando
Solo lo mato besando
La copia de tu retrato

El dolor que me está matando
Solo lo mato besando
La copia de tu retrato

Escrita por: Expedito Sobrinho