395px

Esa Tal Felicidad

Francis Rosa

Essa Tal Felicidade

Quem nunca viu uma porteira na fazenda
Se quer ouviu o canto do sabiá
Com sua viola cantou uma seresta
E essa festa foi até o Sol raiar

Quem não andou descalço no areião
Passou café e tirou leite da fonte
Ficou feliz em tratar da criação
E ver o Sol se pondo no horizonte

Quem não aguou as plantas da varanda
Nem catou fruta madura no terreiro
Não colheu flores nem se lambuzou de mel
Nem mandou catar os amores verdadeiros

Nunca viajou sem sair do seu lugar
Nem teve amigos que chamava de irmão
Plantou sementes e esperou ela vingar
Varreu com a velha piaçava o seu chão

Quem não buscou mantimentos na cidade
Viveu as coisas tão simples do sertão
Velha palhoça que me deixou saudade
Fogueira acesa em louvor a São João

Quem não sentiu o cheiro da terra molhada
Banhou no rio e cantou suas verdades
Não acordou com o cantar da passarada
Não sabe amigo o que é felicidade

Esa Tal Felicidad

¿Quién nunca vio una puerta en el campo?
¿Quién no escuchó el canto del zorzal?
Con su guitarra cantó una serenata
Y esta fiesta duró hasta que salió el sol.

¿Quién no anduvo descalzo en la arena?
¿Quién no hizo café y sacó leche de la fuente?
Se sintió feliz cuidando del ganado
Y viendo el sol ponerse en el horizonte.

¿Quién no regó las plantas del balcón?
¿Quién no recogió fruta madura en el patio?
No cosechó flores ni se llenó de miel
Ni mandó a buscar amores verdaderos.

Nunca viajó sin salir de su lugar
Ni tuvo amigos que llamara hermanos.
Plantó semillas y esperó que germinaran,
Barrió con la vieja escoba su suelo.

¿Quién no buscó provisiones en la ciudad?
Vivió las cosas tan simples del campo.
Vieja choza que me dejó nostalgia,
Fogata encendida en honor a San Juan.

¿Quién no sintió el olor de la tierra mojada?
Se bañó en el río y cantó sus verdades.
No despertó con el canto de los pájaros,
No sabe, amigo, lo que es la felicidad.

Escrita por: Francis Rosa / Maringá Borgert / Valdir Cechinel Filho