395px

Gurí

Francis Rosa

Guri

Das roupas velhas do pai
Queria que a mãe fizesse
Uma mala de garupa
E uma bombacha e me desse

Queria boina e alpargatas
E um cachorro companheiro
Pra me ajudar a botar as vacas
No meu petiço sogueiro

Hei de ter uma tabuada
E o meu livro Queres Ler
Vou aprender a fazer contas
E algum bilhete escrever

Pra que a filha do seu Bento
Saiba que ela é meu bem querer
(E se não for por escrito
Eu não me animo a dizer)

Quero gaita de oito baixos
Pra ver o ronco que sai
Botas feitio do Alegrete
E esporas do Ibirocai

Lenço vermelho e guaiaca
Compradas lá no Uruguai
(Pra que me digam quando eu passe
Saiu igualzito ao pai)

E se Deus não achar muito
Tanta coisa que eu pedi
Não deixe que eu me separe
Deste rancho onde nasci

Nem me desperte tão cedo
Do meu sonho de guri
(E de lambuja permita
Que eu nunca saia daqui)

Gurí

De la ropa vieja de papá
Quería que mamá hiciera
Una maleta de carga
Y una bombacha y me diera

Quería boina y alpargatas
Y un perro compañero
Para ayudarme a llevar las vacas
En mi lazo de vaquero

He de tener una tabla
Y mi libro Quieres Leer
Voy a aprender a hacer cuentas
Y algún billete escribir

Para que la hija del señor Bento
Sepa que ella es mi querer
(Y si no es por escrito
No me animo a decir)

Quiero gaita de ocho bajos
Para escuchar el ronco que sale
Botas del estilo de Alegrete
Y espuelas del Ibirocai

Pañuelo rojo y guaiaca
Compradas allá en Uruguay
(Para que me digan cuando pase
Salió igualito a papá)

Y si Dios no lo ve mal
Tantas cosas que pedí
No dejes que me separe
De este rancho donde nací

Ni me despiertes tan temprano
De mi sueño de gurí
(Y de paso permite
Que nunca salga de aquí)

Escrita por: Julio Machado da Silva Filho, João Batista Machado, Participação Especial Léo Vieira