395px

Poeta de Alma Pura

Francisco Vargas

Poeta de Alma Pura

O Francisco não existe
Apenas vive sofrendo
Seu verso é triste, bem triste
Parece pomba gemendo
Não sei como ele resiste
Ver seu talento morrendo

Ser poeta é a reminiscência
Cultivando uma saudade
É a timidez da inocência
Fugindo da crueldade
E, agora, em plena existência
A mãe da fatalidade

Ser trovador não é nada
É um gênio, é um vulto e magia
Difícil ciência enredada
Da mestra filosofia
Que traz a vida embalada
Nos braços da nostalgia

Do meu verso ninguém fala
Também nunca eu me exibe
Bombacha, botas e pala
Eu uso desde eu guri
São fardamentos de gala
Deste pago em que eu nasci

Morre o homem e fica a fama
Pouco, nada se aproveita
Do meu verso, eu fiz a cama
Aonde a rima se deita
Lutei pra tirar da lama
Quem, hoje, me faz desfeita

Tem gente que muda mais
Do que a própria atmosfera
Ganância por capitais
Nenhum irmão considera
Mas eu não mudo jamais
Vou morrer o mesmo que eu era

Chegando o fim da jornada
No meu calvário de dor
Pobre cruz à beira estrada
Marco simples sem valor
Uma esmola, gauchada
Irmãos, me atirem umas flor'

Nem meu sono derradeiro
Por muito tempo não dura
Porque eu não deixo dinheiro
Pra rendar minha sepultura
Fica um abraço, parceiros
De um poeta da alma pura

"-E o que é ruim se bota fora, só o que é bom que se mistura."

Poeta de Alma Pura

Francisco no existe
Solo vive sufriendo
Su verso es triste, muy triste
Parece una paloma gemir
No sé cómo resiste
Ver su talento morir

Ser poeta es la reminiscencia
Cultivando una añoranza
Es la timidez de la inocencia
Escapando de la crueldad
Y, ahora, en plena existencia
La madre de la fatalidad

Ser trovador no es nada
Es un genio, es un espectro y magia
Difícil ciencia enredada
De la maestra filosofía
Que trae la vida envuelta
En los brazos de la nostalgia

De mi verso nadie habla
Tampoco nunca me exhibo
Bombacha, botas y poncho
He usado desde pequeño
Son atuendos de gala
De este pago en que nací

Muere el hombre y queda la fama
Poco, nada se aprovecha
De mi verso, hice la cama
Donde la rima se acuesta
Luché para sacar del fango
A quien hoy me desprecia

Hay gente que cambia más
Que la propia atmósfera
Codicia por capitales
No considera a ningún hermano
Pero yo no cambio jamás
Moriré siendo el mismo que era

Llegando al fin del camino
En mi calvario de dolor
Pobre cruz al borde del camino
Sencillo marcador sin valor
Una limosna, compadres
Hermanos, arrojen unas flores

Ni mi último sueño
Dura mucho tiempo
Porque no dejo dinero
Para adornar mi sepultura
Queda un abrazo, compañeros
De un poeta de alma pura

"-Y lo malo se desecha, solo lo bueno se mezcla."

Escrita por: Francisco Vargas / Teófilo Vargas