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Se pelo menos eu soubesse
Meu verdadeiro sobrenome
Meu país, minha terra
Ah, se eu soubesse, já era
Se minha carne fosse vista diferente
Se seu olhar fosse mais inocente
Se eu não tivesse que ser forte
Nem dependesse da sorte
Se antes do diabo que me pintam por ser o que sou
Ou da deusa que cultivam pelo mesmo motivo
Eu fosse pessoa, pessoa antes de mulata
Se eu não tivesse que falar na lata
E se eu não tivesse que gritar
Ainda ia ter graça me ver sangrar?
E se eu quisesse me vingar?
Ou cês acha que nós não lembrava
Do estupro da escrava?
Que cês ainda comemoram a ação
Porque o resultado: A linda miscigenação
Ou cês acha que nós esquece
A tragédia dos mec mec
Que termina lá no Cytotec?
Sim, aborto
A pergunta agora é se o feto era vivo ou morto
E ela?
Crucificada aos 16
Sem a ajuda de nenhum de vocês
Sozinha
Pedindo aos céus ajuda de mainha
Mas aqui só tinha inferno
E o julgamento é eterno
Se não vai pra prisão, pode ir pro valão
Taxada de puta na televisão
Pra nós, ninguém reserva oração
Tudo preto, sem bandeira branca na trama
Cê já sentiu negra drama?
Ou tu só respeita se for da família?
Pede bênção pra mãe e não assume a filha
É que cês não gosta de mulher, cês gosta é de buceta
De preferência branca, mas com bunda de preta
Até serve comer mulata, mas se for a que te acata
E os mano sempre diz que são todo errado
E aí quer pagar de aliado
Mas cês tem que entender nosso lado
Nós não atura papo de mandado
Porque o papo não faz curva, aqui o papo é reto
Cê vai se arrepender de me fazer de objeto
Eu não tô aqui pra fazer seu membro ficar ereto
Não se esqueça, aqui é muita treta
Se teu pau é Ku Klux Klan, minha buceta é Pantera Negra
É que eu não aguento mais, será que um dia tem paz?
Ou será sempre mais um jaz?
No cais, sinto o horror do Valongo
Quilombo dor, é o combo do meu horror
Mas você não me parou
Uns morto na matéria, mas vivo na memória
Eu canto aqui é pra lembrar essas história
Em meio ao caos nós vai encontrar a glória
Em meio a tanta luta nós vai chegar na vitória
É que eu tenho minha raiz, minha base pra ser feliz
Eu invado, eu não me encaixo
E você ainda se acha muito macho?
Mas nunca viu rastro de cobra, nem couro de lobisomem
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
O que eu passei na vida, cês não sabe como é
Pra viver na minha pele, neguin, tem que ser muito, mas muito mulher!
Grito de Películas
Si al menos supiera
Mi verdadero apellido
Mi país, mi tierra
Ah, si lo supiera, ya estaría
Si mi piel fuera vista de manera diferente
Si tu mirada fuera más inocente
Si no tuviera que ser fuerte
Ni depender de la suerte
Si antes del diablo que me pintan por ser quien soy
O de la diosa que cultivan por la misma razón
Fuera persona, persona antes que mulata
Si no tuviera que hablar sin rodeos
Y si no tuviera que gritar
¿Tendría gracia verme sangrar?
Y si quisiera vengarme?
¿O creen que no recordamos
La violación de la esclava?
¿Que aún celebran la acción
Por el resultado: la hermosa mestización?
¿O creen que olvidamos
La tragedia de los mec mec
Que termina en el Cytotec?
Sí, aborto
La pregunta ahora es si el feto estaba vivo o muerto
¿Y ella?
Crucificada a los 16
Sin la ayuda de ninguno de ustedes
Sola
Pidiendo ayuda a mamá a los cielos
Pero aquí solo había infierno
Y el juicio es eterno
Si no va a la cárcel, puede ir al desagüe
Etiquetada de puta en la televisión
Para nosotros, nadie reserva oración
Todo negro, sin bandera blanca en la trama
¿Alguna vez has sentido el drama negro?
¿O solo respetas si es de la familia?
Pide bendición a mamá y no asume a la hija
Es que no les gustan las mujeres, les gusta la vagina
Preferiblemente blanca, pero con trasero de negra
Incluso sirve comer mulata, pero si es la que te obedece
Y los chicos siempre dicen que están todos equivocados
Y luego quieren hacerse los aliados
Pero tienen que entender nuestro lado
No toleramos órdenes
Porque la charla no se desvía, aquí la charla es directa
Te arrepentirás de hacerme un objeto
No estoy aquí para que tu miembro se ponga erecto
No olvides, aquí hay mucha pelea
Si tu pene es Ku Klux Klan, mi vagina es Pantera Negra
Es que ya no aguanto más, ¿habrá paz algún día?
¿O siempre será otro más en el ataúd?
En el muelle, siento el horror de Valongo
Quilombo de dolor, es el combo de mi horror
Pero tú no me detuviste
Algunos muertos en la materia, pero vivos en la memoria
Canto aquí para recordar esas historias
En medio del caos encontraremos la gloria
En medio de tanta lucha llegaremos a la victoria
Es que tengo mis raíces, mi base para ser feliz
Invado, no encajo
¿Y tú aún te crees muy macho?
Pero nunca has visto rastro de serpiente, ni piel de hombre lobo
Si corres, el bicho te atrapa, si te quedas, el bicho te come
Lo que he pasado en la vida, no saben cómo es
Para vivir en mi piel, amigo, ¡tienes que ser muy, pero muy mujer!