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Travessa

Galvão

Travessa

Luzes da noite me acompanham desde lá daquele bar
A par e passo, o ressoar do meu compasso, à meia luz
Claridade sonolenta de um mormaço em tom lilás

Enquanto sigo no rumo daquela esquina
Um sinal pisca amarelo a me avisar
Que nas madrugadas
(De uma lua tão franzina como essa)
Tudo pode vir a acontecer

E não carece mais nenhuma pressa
Só caminhar e espreitar essa travessa
Para entender (não é de hoje!)
O que ela anda querendo me dizer

E aonde quer que eu vá
Que eu não me esqueça do recado recebido
Baixar a minha guarda, dirimir minhas defesas
Pra que eu seja, ao mesmo tempo, o bandido e a sua presa

Travessa

Luces de la noche me acompañan desde allá de aquel bar
Paso a paso, el resonar de mi compás, a media luz
Claridad somnolienta de un bochorno en tono lila

Mientras sigo en dirección a aquella esquina
Un semáforo parpadea amarillo para advertirme
Que en las madrugadas
(De una luna tan delgada como esta)
Todo puede suceder

Y no hace falta más prisa
Solo caminar y observar esa callejuela
Para entender (no es de hoy!)
Lo que ella anda queriéndome decir

Y donde sea que vaya
Que no olvide el mensaje recibido
Bajar mi guardia, disipar mis defensas
Para que sea, al mismo tiempo, el bandido y su presa

Escrita por: Dario Pires / Galvão