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Zé Ninguém

Garotos Podres

Zé Ninguém

Nasceu da miséria
E se sente o cheiro daí
Se encheu de cachaça e saiu por ai
Não trabalha mas também não explora
Não compreender multidões contando horas
Na praça demonstra a sua fé
Vagando satisfeito
E é movido com os pés

Olhando pro Sol
Ou olhando pra chuva
Enlouquecendo no meio da rua
Zé não precisa tomar banho pra se manter limpo
Zé nunca foi latifundiário
Zé nunca foi patrão
Zé nunca foi nenhum tipo de ladrão

Sob o manto negro da noite
Deitado no banco da praça
Zombando das estrelas
Que insistem em ficar acesas
Um dia Zé simplesmente
Cansou-se de existir
E agora jaz um corpo
Despedaçado na linha do trem

Um corpo de um cara qualquer
Um corpo de um Zé ninguém

Esta é a história de Zé ninguém
Na porta dos bares
À cama de cimento
Zé ninguém, um excremento

Zé Ninguém

Nacido de la miseria
Y se siente el olor de ahí
Se llenó de caña y salió por ahí
No trabaja pero tampoco explota
No comprende multitudes contando horas
En la plaza muestra su fe
Vagando satisfecho
Y se mueve con los pies

Mirando al Sol
O mirando a la lluvia
Enloqueciendo en medio de la calle
Zé no necesita bañarse para mantenerse limpio
Zé nunca fue terrateniente
Zé nunca fue jefe
Zé nunca fue ningún tipo de ladrón

Bajo el manto negro de la noche
Acostado en el banco de la plaza
Burlándose de las estrellas
Que insisten en permanecer encendidas
Un día Zé simplemente
Se cansó de existir
Y ahora yace un cuerpo
Despedazado en la línea del tren

Un cuerpo de un tipo cualquiera
Un cuerpo de un Zé ninguém

Esta es la historia de Zé ninguém
En la puerta de los bares
En la cama de cemento
Zé ninguém, un excremento

Escrita por: Garotos Podres