João Saudade
Toada
No estilo da estampa
Um resto de pampa
Farrapo dos trapos
Bombacha já rota,
Melena revolta,
E um jeito de guapo
Chapéu deformado
Um lenço rasgado -
Ainda bandeira
Guaiaca roída
Rimando com a vida
Do João da Fronteira
[Porque, oh João,
Deixaste o galpão
E a lida campeira
Pra ser na cidade
Mais um João-saudade
Sem eira, nem beira?]
O João da favela
Que a vida atrela
A um carro de mão
É João-lá-de-fora
Repontando agora
Papel, papelão
E assim, quem diria,
Que a sorte um dia
Lhe desse este pealo
O João já nem sente
Que ontem ginete
É hoje o cavalo.
[Porque, oh João,
Deixaste o galpão
E a lida campeira
Pra ser na cidade
Mais um João-saudade
Sem eira, nem beira?]
João Saudade
Canción de la nostalgia
En el estilo de la estampa
Un rastro de pampa
Harapo de trapos
Bombacha ya rota,
Melena alborotada,
Y un aire de guapo
Sombrero deformado
Un pañuelo rasgado -
Aún como bandera
Guaiaca mordida
Rimando con la vida
De João de la Frontera
[Porque, oh João,
Dejaste el galpón
Y la vida campestre
Para ser en la ciudad
Solo un João-nostalgia
Sin nada ni nadie cerca?]
El João de la favela
Que la vida ata
A un carro de mano
Es João-de-afuera
Surgiendo ahora
Papel, cartón
Y así, quién lo diría,
Que la suerte un día
Le diera este revés
João ya ni siente
Que ayer jinete
Hoy es el caballo.
[Porque, oh João,
Dejaste el galpón
Y la vida campestre
Para ser en la ciudad
Solo un João-nostalgia
Sin nada ni nadie cerca?]
Escrita por: Bruce Vaine de Souza Darde, Pedro Neves