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Tchê, Perdóname, Chico

Gaúcho da Fronteira

Tchê, Me Perdoa Guri

Tchê, me perdoa guri
Se te deixei e cresci
Te trocando pela lida
É que pra sobreviver
Fui obrigado a crescer
Acossado pela vida

Não, não fica triste guri
Se te deixei e cresci
Trocando o pião pela pá
Por ser enteado da fome
Eu fui brincar de ser homem
Sem ter tempo de ser piá

Hoje tu vives assim
Correndo dentro de mim
No teu potro de taquara
Não, não me incomoda guri
Não vou te deixar sair
Pois o tempo nos separa

Tchê, me perdoa guri
Se te deixei por aí
Sem infância pelos campos
Por isso sou desse jeito
Tu te agitas no meu peito
Quando vejo os pirilampos

Não, não fica triste guri
Porque agora já cresci
Conheço toda a verdade
Por mais que a gente envelheça
E o guri perdido cresça
Sempre fica uma saudade

Mas por mais que te repreenda
Que te sufoque e te prenda
Neste dolorido exílio
Quando, quando o dia chega ao fim
Tu sais de dentro de mim
E vens brincar com meu filho

Tchê, Perdóname, Chico

Tchê, perdóname, chico
Si te dejé y crecí
Cambiándote por el trabajo
Es que para sobrevivir
Fui obligado a crecer
Acosado por la vida

No, no te pongas triste, chico
Si te dejé y crecí
Cambiando el trompo por la pala
Por ser hijastro del hambre
Fui a jugar a ser hombre
Sin tiempo para ser niño

Hoy vives así
Corriendo dentro de mí
En tu potro de tacuara
No, no me molesta, chico
No te dejaré ir
Pues el tiempo nos separa

Tchê, perdóname, chico
Si te dejé por ahí
Sin infancia por los campos
Por eso soy así
Tú te agitas en mi pecho
Cuando veo las luciérnagas

No, no te pongas triste, chico
Porque ahora ya crecí
Conozco toda la verdad
Por más que envejezcamos
Y el niño perdido crezca
Siempre queda una nostalgia

Pero aunque te reprenda
Que te ahogue y te ate
En este doloroso exilio
Cuando, cuando el día llega a su fin
Sales de dentro de mí
Y vienes a jugar con mi hijo

Escrita por: Gaúcho Da Fronteira / Vaine Darde