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Cantador de Campaña

Gaúchos (robledo Martins e Rui Carlos Ávila)

Cantador De Campanha

Meu trabalho é de peão campeiro
Conforme diz meu documento
Sigo sem afrouxar nenhum tento
De campanha, crioulo e fronteiro.

Mas eu trago outro ofício no mundo
Que esses fundos já sabem qual é
Cantar baile nos ranchos de campo
Do retiro a Azevedo Sodré.

Bendição que carrego comigo
Ser um peão cantador de campanha
Com o gaiteiro eu me entendo por sanha
Pra pobreza eu até já nem ligo.

Me chamaram pra sábado agora
Cantar um baile na costa do Areal
Eu não tenho no bolso um real
Mas eu sou cantador desta gente de fora.

Chão batido de saibro vermelho
Meia-água de quatro por cinco
Vou mirando os "buraco" do zinco
E cantando ao clarão do cruzeiro.

Que 'faz ano' a guria mais nova
Lá do rancho do seu Gomercindo
E eu não sei qual semblante o mais lindo
Das três filhas da comadre Mosa.

A Izabel, a Canducha e a Rosa
Nem te digo qual a mais bonita
Todas três com vestido de chita
Com pregueado de fita mimosa.

O Amadeus na gaita de botão
E o Condonga no violão canhoto
E um zumbido igual gafanhoto
Do pandeiro do negro Bujão.

Duas moças vêm do Parador
E uma prima de São Gabriel
Pode ser que a menina Izabel
Faça "uns olho" de graça pra este cantador.

Se clareia "agarramo" a estrada
Que a pegada é só segunda-feira
Vou cantando mais duas vaneiras
Dessas de iluminar a madrugada.

Cantador de Campaña

Mi trabajo es de peón de campo
Según dice mi documento
Sigo sin aflojar ningún tiento
De campaña, criollo y fronterizo.

Pero traigo otro oficio en el mundo
Que estos pagos ya saben cuál es
Cantar bailes en los ranchos de campo
Desde el retiro hasta Azevedo Sodré.

Bendición que llevo conmigo
Ser un peón cantor de campaña
Con el gaitero me entiendo por sanha
Para la pobreza ya ni me importa.

Me llamaron para este sábado
A cantar un baile en la costa del Areal
No tengo ni un real en el bolsillo
Pero soy cantor de esta gente de afuera.

Suelo de tierra batida roja
Media agua de cuatro por cinco
Voy apuntando los agujeros del cinc
Y cantando a la luz del cruzeiro.

Que hace años la chica más joven
Del rancho de su Gomercindo
Y no sé cuál rostro es más hermoso
De las tres hijas de la comadre Mosa.

Isabel, Canducha y Rosa
No te digo cuál es la más bonita
Las tres con vestido de chita
Con pliegues de cinta mimosa.

Amadeus en el acordeón
Y Condonga en la guitarra zurda
Y un zumbido como de saltamontes
Del pandero del negro Bujão.

Dos chicas vienen del Parador
Y una prima de San Gabriel
Puede ser que la niña Isabel
Haga unos ojos de gracia para este cantor.

Cuando amanece agarramos la ruta
Que el rastro es solo hasta el lunes
Voy cantando dos vaneiras más
De esas que iluminan la madrugada.

Escrita por: Luiz Marenco / Sergio Carvalho Pereira