395px

Canción Para el Riachuelo

George Paez

Canção Para o Riozinho

No exato instante em que um raio de Lua nova
Risca o céu escarlate em algum ponto do Brasil
Uma canoa conduzida pelas mãos de um beiradeiro
Singra as águas mansas do meu rio

A face desse homem traz as marcas da ação do anos
Gastos na lida em seringais e castanhais
Memórias de batalhas entre índios e grileiros
Quando o sangue tingiu os mananciais

Minha morada, tua morada eu sou
Sou teu filho e meus ouvidos estão abertos para ouvir
Tua histórias, lendas e lutas
De índios, beiradeiros e ativistas aprendendo a resistir

Eu que nasci de pai violeiro
Declaro que o amor que trago no peito
Vai muito além do aluvião
Que encrespa tua face, agita teu ventre fecundo
És força na inundação

Filhos do céu, do rio, da floresta
Somos muitos, mas somos um só
Guerreiros largados na mão do acaso
Querendo ter voz, querendo ter vez
Pedindo atenção, declarando a paixão

Minha morada, tua morada eu sou
Sou teu filho e meus ouvidos estão abertos para ouvir
Tuas histórias, lendas e lutas
De índios, beiradeiros e ativistas aprendendo a resistir

Canción Para el Riachuelo

En el preciso momento en que un rayo de Luna nueva
Raya el cielo escarlata en algún punto de Brasil
Una canoa conducida por las manos de un ribereño
Navega las aguas tranquilas de mi río

El rostro de este hombre lleva las marcas de los años de acción
Gastados en el trabajo en plantaciones de caucho y castañas
Recuerdos de batallas entre indígenas y usurpadores
Cuando la sangre tiñó los manantiales

Mi morada, tu morada soy
Soy tu hijo y mis oídos están abiertos para escuchar
Tus historias, leyendas y luchas
De indígenas, ribereños y activistas aprendiendo a resistir

Yo que nací de un padre guitarrista
Declaro que el amor que llevo en el pecho
Va mucho más allá de la crecida
Que arruga tu rostro, agita tu vientre fértil
Eres fuerza en la inundación

Hijos del cielo, del río, de la selva
Somos muchos, pero somos uno solo
Guerreros abandonados al azar
Queriendo tener voz, queriendo tener oportunidad
Pidiendo atención, declarando la pasión

Mi morada, tu morada soy
Soy tu hijo y mis oídos están abiertos para escuchar
Tus historias, leyendas y luchas
De indígenas, ribereños y activistas aprendiendo a resistir

Escrita por: George Paez