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En la Mirada de un Ángel

Gil Zagreb

No Olhar de Um Anjo

Uma tarde de frio em são paulo, em um farol qualquer da cidade
Aproximou-se do meu carro uma menininha, mais ou menos doze anos de idade
Ela trazia um bebe em seu colo, tão pequeno e mal agasalhado
Eu notei que ele estava descalço, e apenas num velho cobertor enrolado

Ela olhou nos meus olhos e disse, seu moço pode me ajudar
Meus irmãozinhos estão em casa com fome, e minha mãe não pode mais trabalhar
Meu pai e um pobre coitado que só anda jogado na porta de um bar
Depois que perdeu o emprego não teve sossego, da dó de olhar

Minha mãe trabalhou de empregada domestica, hoje recebe uma pequena pensão
Ela pegou uma doença nos seios teve até que fazer operação
Nunca mais pode trabalhar e o que ganha mal da para o pão
Sou a mais velha da minha casa, fora esse tenho três irmãos

Naquele momento eu notei, a cegueira da sociedade
Que fecham os vidros e os olhos pra esse inocentes, que perambulam por essas cidades
Nos imails falando da fome no mundo, que repassamos e vemos como ficção simplesmente pagamos nossos impostos e como pilatos lavamos a mão

Hoje vejo gente tratando animais como crianças, e crianças como animais
Eu choro quando lembro daqueles olhinhos, e aqueles dois anjinhos, não esqueço jamais

En la Mirada de un Ángel

Una tarde fría en São Paulo, en cualquier semáforo de la ciudad
Se acercó a mi coche una niñita, de unos doce años de edad
Traía un bebé en brazos, tan pequeño y mal abrigado
Noté que estaba descalzo, envuelto solo en una vieja manta

Me miró a los ojos y dijo, 'señor, ¿me puede ayudar?'
Mis hermanitos están en casa con hambre, y mi mamá ya no puede trabajar
Mi papá es un pobre desgraciado que solo anda tirado en la puerta de un bar
Desde que perdió el trabajo no ha tenido paz, da pena mirarlo

Mi mamá trabajaba de empleada doméstica, ahora recibe una pequeña pensión
Contrajo una enfermedad en los senos y tuvo que ser operada
Ya no puede trabajar y lo que gana apenas alcanza para el pan
Soy la mayor de mi casa, además de este bebé tengo tres hermanos

En ese momento me di cuenta de la ceguera de la sociedad
Que cierra las ventanas y los ojos a estos inocentes que deambulan por las calles
En los correos electrónicos hablan de la hambruna en el mundo, los reenviamos y lo vemos como ficción, simplemente pagamos nuestros impuestos y como Pilatos nos lavamos las manos

Hoy veo a la gente tratando a los animales como si fueran niños, y a los niños como si fueran animales
Lloro al recordar esos ojitos, a esos dos angelitos, nunca los olvidaré

Escrita por: Gildo Rodrigues Abreu