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Ojo Mágico

Gilberto Gil

Olho Mágico

Piolho, piolho!
Você quer ver um piolho
No pelo da minha pubis
No pelo da minha pubis

Que olho, que olho!
Você pensa que tem olho
Você pensa que tem olho
Que tem olho de olho mágico

Você quer me ver vivendo
Algo patético ou trágico
Você pensa que eu estou no big brother
Você pensa que eu seria um grande irmão
Você pensa que eu estou fora de moda
Porque ainda considero a solidão

Que molho, que molho!
Quer ver o dente de alho
Quer ver o dente de alho
Refogando meu repolho

Quer alho, quer alho!
Quer pimenta malagueta
Quer que eu chupe uma chupeta
Que que eu imite um zarolho

Quer meu álbum de retratos
Remexer minha gaveta
Arrumar o meu armário
Refazer meu guarda-roupa
Andar na minha lambreta
Você quer a rima fácil
Como eu fosse um poeta
De proveta ou de prancheta

Que saco, que saco!
Como se isso fosse naco
Como se isso fosse nesga
Como se isso fosse fresta

Que saco, que saco!
Como se isso fosse um jeito
De você bisbilhotar meu silêncio
Ou minha festa
Eu estou lhe dando tudo
Eu estou me dando todo
O meu celular me cola
Inteirinho em seu roteiro
Não precisa me editar
Filmei tudo o tempo inteiro
Quero ver quem ver primeiro
Até onde eu vou chegar
Primeiro, primeiro!
Quero ver quem ver primeiro
Até onde eu vou chegar
Até onde eu vou chegar
Meu retrato celular
Retrato celular.

Ojo Mágico

Piojo, piojo!
Quieres ver un piojo
En el vello de mi pubis
En el vello de mi pubis

¡Qué ojo, qué ojo!
Piensas que tienes ojo
Piensas que tienes ojo
Que tienes ojo de ojo mágico

Quieres verme viviendo
Algo patético o trágico
Piensas que estoy en el gran hermano
Piensas que sería un gran hermano
Piensas que estoy pasado de moda
Porque aún considero la soledad

¡Qué salsa, qué salsa!
Quieres ver el diente de ajo
Quieres ver el diente de ajo
Sofriendo mi repollo

¡Quieres ajo, quieres ajo!
Quieres pimienta picante
Quieres que chupe un chupete
Que imite a un tuerto

Quieres mi álbum de fotos
Revolver mi cajón
Arreglar mi armario
Rehacer mi guardarropa
Andar en mi lambreta
Quieres la rima fácil
Como si fuera un poeta
De probeta o de tablero

¡Qué fastidio, qué fastidio!
Como si eso fuera un pedazo
Como si eso fuera un trozo
Como si eso fuera una rendija

¡Qué fastidio, qué fastidio!
Como si eso fuera una forma
De fisgonear mi silencio
O mi fiesta
Te estoy dando todo
Me estoy entregando por completo
Mi celular me sigue
Completamente en tu guion
No necesitas editarme
Te filmé todo el tiempo
Quiero ver quién ve primero
Hasta dónde llegaré

¡Primero, primero!
Quiero ver quién ve primero
Hasta dónde llegaré
Hasta dónde llegaré
Mi retrato celular
Retrato celular.

Escrita por: Gilberto Gil