Comunidária
Eu sei
E você sabe
Ele, sim, sabe também
O que é sofrer
O que é chorar
O que é precisar de alguém
Eu sei
E você sabe
Se não sabe, há de saber
Quem nunca precisou de alguém
Ainda está pra nascer
E assim que nascer
Logo precisará
Da mãe, da mamadeira
Da enfermeira ou da babá
De braço em braço, berço em berço
E na hora de andar
De falar, de correr, de aprender a ler
De sonhar
Por todo esse caminho
De pequenino a doutor
Pra nunca precisar de alguém
Vai ter que já nascer robô
Sem alma, sem cabeça, sem amor, sem coração
E ainda assim precisará
De alguém pra lhe dar uma mão
Na hora de apertar o parafuso que soltou
Eu sei e você sabe
Quem não sabe não mamou
Eu sei e você sabe
Quem não sabe não mamou
Nem mamou
Comunidária
Yo sé
Y tú sabes
Él, sí, también sabe
Lo que es sufrir
Lo que es llorar
Lo que es necesitar a alguien
Yo sé
Y tú sabes
Si no sabes, llegarás a saber
Quien nunca necesitó a alguien
Todavía está por nacer
Y una vez que nazca
Pronto necesitará
De la madre, del biberón
De la enfermera o de la niñera
De brazo en brazo, cuna en cuna
Y a la hora de caminar
De hablar, de correr, de aprender a leer
De soñar
Por todo ese camino
De pequeñito a doctor
Para nunca necesitar a alguien
Tendrá que nacer como un robot
Sin alma, sin cabeza, sin amor, sin corazón
Y aún así necesitará
De alguien que le eche una mano
A la hora de apretar el tornillo que se soltó
Yo sé y tú sabes
Quien no sabe no mamó
Yo sé y tú sabes
Quien no sabe no mamó
Ni mamó