395px

Infancia Pobre

Gildo de Freitas

Infância Pobre

(Eu fui um menino pobre, vivi jogado ao relento
Nos dias de inverno forte foi grande meu sofrimento
Maloca de papelão era ali a nossa fazenda
Esse trecho eu não esqueço por ser um triste começo
De um grande padecimento. E por princípio tiveram uma decaída
Por ciúme de amores caíram na bebida
E até nossa casinha, que por desgraça foi vendida
Botaram fora o dinheiro e ficamos no desespero
Sem a casa e sem comida)

E foi assim minha gente que eu neste mundo nasci
Redobrou meu sofrimento depois que meus pais perdi
Se não fosse o meu padrinho que eu mais tarde descobri
Era certo que eu morria porque eu não resistia
Mais do que eu resisti

Eu hoje fui pra conversa de quem conhece a matéria
Minha mãe casou direito era uma senhora séria
O papai trabalhador que não gozava uma féria
Depois de um triste abandono, que nem cachorro sem dono
Morreram os dois na miséria

Eu hoje, graças a Deus, sou a mim que me governo
Só não desfrutei carinho nem paterno, nem materno
Se eu fosse enfraquecido que nem o moço moderno
Dominado pelo fumo eu jamais achava o rumo
Nem saía do inferno

Pra criança sem morada sempre existe um forrinho
Se dá uma roupa usada, uma calça, um sapatinho
Eu falo porque já fui um menino pobrezinho
Filho de um pobre casal sem apoio, sem moral
Sem fortuna e sem carinho

Infancia Pobre

(Fui un niño pobre, viví tirado a la intemperie
En los días de invierno fuerte fue grande mi sufrimiento
Chabola de cartón era nuestra finca
Este tramo no lo olvido por ser un triste comienzo
De un gran padecimiento. Y en principio tuvieron una caída
Por celos de amores cayeron en la bebida
E incluso nuestra casita, que por desgracia fue vendida
Echaron el dinero y quedamos desesperados
Sin casa y sin comida)

Así fue, gente mía, que nací en este mundo
Se duplicó mi sufrimiento después de perder a mis padres
Si no fuera por mi padrino que descubrí más tarde
Era seguro que moría porque no resistía
Más de lo que resistí

Hoy fui a hablar con quienes conocen el tema
Mi madre se casó bien, era una señora seria
Mi padre trabajador que no disfrutaba de un descanso
Después de un triste abandono, como un perro sin dueño
Murieron los dos en la miseria

Hoy, gracias a Dios, soy quien me gobierna
Solo no disfruté del cariño ni paterno ni materno
Si hubiera sido debilitado como el joven moderno
Dominado por el humo, nunca habría encontrado el rumbo
Ni salido del infierno

Para el niño sin hogar siempre hay un refugio
Si le dan ropa usada, un pantalón, unos zapatos
Hablo porque fui un niño muy pobre
Hijo de una pareja pobre sin apoyo, sin moral
Sin fortuna y sin cariño)

Escrita por: Gildo De Freitas