Sentimento de Viúvo
(Vocês estão vendo esse traje preto que eu uso
Nos lugares donde cruzo ninguém sabe porque é
Me representa uma nuvem de paixão
Que me enluta o coração por ter perdido a mulher
Aquela prenda que eu amava com ternuras
E que o destino nos dois nos separou
Por que a má sorte debruçou-se entre nós dois
E a negra morte a companheira levou)
Eu lembro um pé de roseira que tinha sobre a janela
Que era os cuidados dela pra mostrar as visitas
Lembro também meu velho cachorro baio
Um macaco e um papagaio e um casal de caturritas
(Isso lá de quando em quando a roseira enflorescida
E a minha china querida para enterter as visitas
Mostrava logo a roseira e depois a casa inteira
Os papagaio as caturritas)
Eu me lembro bem assim parece estar enxergando
O gato se espreguiçando sobre a cadeira estofada
E a galinhada que enfeitava o terreiro
Nosso porco no chiqueiro e uma lavoura plantada
(Me lembro bem deste gato, era um gatito bardoso
Molerengo preguiçoso tinha o nome de Mimi
E ela tratava esse gato com todo zelo
E passava a mão no pelo até o gato dormir)
Meu cachorro perdigueiro que era amigo do meu pingo
Nós saía nos domingo numas horas tão felizes
Nos campo aberto onde entrava nós três
Com uma arma dezesseis pra negaciar as perdizes
(Meu cavalo, meu cachorro dois bichos fieis amigos
Em tão triste hora eu digo do pingo eu penteava a crina
A bicharada, que não morreram fugiram
Parece até que sentiram com a morte da minha china)
Com a morte da minha china não tratei do bicharedo
Até o meu novo arvoredo foi secando e não cresceu
O macaco entristeceu e as caturritas fugiram
E as parreiras caíram, o meu cavalo morreu
(E assim foi se acabando meu rancho ficou tapera
Nem eu sou mais o que era, tudo se acabou para mim
Eu sei que mais tarde eu morro
Que nem o cavalo e o cachorro, rancho, arvoredo e jardim)
Meu cachorro ficou louco
E assim de pouco a pouco tudo desapareceu
Só o que não desaparece
É a saudade que cresce neste humilde peito meu
Sentimiento de Viudo
(Ustedes ven este traje negro que uso
En los lugares por donde paso, nadie sabe por qué es
Representa una nube de pasión
Que enluta mi corazón por haber perdido a mi mujer
Esa prenda que amaba con ternura
Y que el destino nos separó a ambos
Porque la mala suerte se interpuso entre nosotros dos
Y la negra muerte se llevó a mi compañera)
Recuerdo un rosal que tenía en la ventana
Que era su cuidado para mostrar a las visitas
Recuerdo también a mi viejo perro bayo
Un mono y un loro y una pareja de cotorras
(Eso de vez en cuando el rosal florecido
Y mi amada china para entretener a las visitas
Mostraba primero el rosal y luego toda la casa
Los loros, las cotorras)
Recuerdo bien así, parece estar viendo
Al gato estirándose sobre la silla tapizada
Y la gallinada que adornaba el corral
Nuestro cerdo en el chiquero y un campo sembrado
(Recuerdo bien a ese gato, era un gatito pardo
Perezoso y mimoso, se llamaba Mimi
Y ella cuidaba a ese gato con todo mimo
Y le acariciaba el pelaje hasta que el gato dormía)
Mi perro perdiguero que era amigo de mi caballo
Salíamos los domingos en horas tan felices
Al campo abierto donde íbamos los tres
Con un arma de calibre dieciséis para cazar perdices
(Mi caballo, mi perro, dos fieles amigos
En tan triste hora, digo que peinaba la crin del caballo
Los animales, que no murieron, huyeron
Parece que sintieron la muerte de mi amada)
Con la muerte de mi amada, no cuidé de los animales
Incluso mi nuevo arbolado se secó y no creció
El mono entristeció y las cotorras huyeron
Y las parras cayeron, mi caballo murió
(Y así fue desapareciendo mi rancho, quedó abandonado
Ya no soy lo que era, todo se acabó para mí
Sé que más tarde moriré
Como el caballo y el perro, el rancho, el arbolado y el jardín)
Mi perro se volvió loco
Y así, poco a poco, todo desapareció
Solo lo que no desaparece
Es la añoranza que crece en este humilde pecho mío