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Indio Desnudo

Gildomar Marinho

Índio Nu

Eu vi um índio nu
Tomando guaraná em lata
Enlatado no seu ambiente
Eu vi um índio nu estonteado em garrafas
Engarrafado no seu ambiente

Eu vi um índio são
Eu vi um índio tão doente
Um índio indigente
Lutando pra ser gente

Que a gente daqui
Em bom português expulsou
Que a gente daqui
Em tupiguarani ignorou

Eu vi o ímpio aos olhos do protestante
Um índio batizado
Evangelizado por seu dominante

Um índio tão insólito
Ateu e católico sobreviveu
Numa corrida eufórica
Um índio sem retórica se perdeu

Eu vi o índio temer
Perder o chão dos avós
Eu vi o querer tudo de volta, sua voz
Sua voz e seu nu
Um índio so blues
No céu do Brasil
Brasil, doce puta
Que amou o que pariu

Indio Desnudo

Vi a un indio desnudo
tomando guaraná en lata
Enlatado en su entorno
Vi a un indio desnudo aturdido en botellas
Embotellado en su entorno

Vi a un indio sano
Vi a un indio tan enfermo
Un indio indigente
Luchando por ser gente

Que la gente de aquí
En buen español expulsó
Que la gente de aquí
En tupiguaraní ignoró

Vi al impío a los ojos del protestante
Un indio bautizado
Evangelizado por su dominante

Un indio tan insólito
Ateo y católico sobrevivió
En una carrera eufórica
Un indio sin retórica se perdió

Vi al indio temer
Perder el suelo de sus abuelos
Vi el deseo de recuperarlo todo, su voz
Su voz y su desnudez
Un indio tan blues
En el cielo de Brasil
Brasil, dulce puta
Que amó lo que parió

Escrita por: Gildomar Marinho