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Farda Negra

Gino e Geno

Farda Preta

Minha mãe ficou no Norte
Não suportou minha falta
Mas vejam que sorte ingrata
De minha pobre mãezinha

Sofreu tanto a coitadinha
Somente por meu respeito
Hoje adormeci meu peito
Acho que não tem mais jeito

Essa o meu pai lá do céu
Que mande uma estrela pra mim

Mas vejam só minha sorte
Mereço ser castigado?
Para ser um bom soldado
Deixei minha mãe querida

Chorando desiludida
Não ficou me esperando
E saiu me procurando
Com meu retrato na mão

Se Jesus não me der forças
Sei que morro de paixão

Quando eu tinha quinze anos
Minha mãe sempre falava
Que tanto de mim gostava
Tanto bem que me queria

Que eu nunca pensasse um dia
Em deixar-te, fosse embora
E hoje meus olhos choram
Pelo toque de corneta

Deixei a farda amarela
Hoje a minha farda é preta

Farda Negra

Mi mamá se quedó en el Norte
No aguantó mi ausencia
Pero vean qué suerte ingrata
De mi pobre mamita

Ella sufrió tanto la pobre
Solo por mi respeto
Hoy cerré mi corazón
Creo que ya no tiene remedio

Que mi padre allá en el cielo
Mande una estrella para mí

Pero vean mi suerte
¿Merezco ser castigado?
¿Para ser un buen soldado
Dejé a mi madre querida?

Llorando desilusionada
No se quedó esperándome
Y salió a buscarme
Con mi retrato en la mano

Si Jesús no me da fuerzas
Sé que moriré de amor

Cuando tenía quince años
Mi mamá siempre decía
Cuánto me quería
Cuánto bien me quería

Que nunca pensara un día
En dejarte, en irme
Y hoy mis ojos lloran
Por el toque de corneta

Dejé el uniforme amarillo
Hoy mi uniforme es negro

Escrita por: Zé Vieira