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João Fortuna, João Louco

Glênio Fagundes

João Fortuna, João Louco

João Fortuna quanta ironia
No destino do João Louco
Que passa os dias brincando
Pra ser guri mais um pouco
João Fortuna ironiza
O destino do João Louco

Do remanso galponeiro
Faz um costado à guitarra
Pra uma flauta de taquara
Que passa ao largo assombrar

Pela milonga da flauta
João assopra sentimento
Distração do esquecimento
Que João carrega na cara

São rastros de melodia
Que ele juntou dos galpões
Pra povoar solidões
Nas lerdas horas de ausência

No silêncio do cansaços
Recostado a pampa nua
Vem encharcado de estrelas
Dorme no quarto das luas

João Fortuna, João Louco

João Fortuna, qué ironía
En el destino de João Louco
Que pasa los días jugando
Para ser un niño un poco más
João Fortuna ironiza
El destino de João Louco

Del remanso campero
Hace un costado a la guitarra
Para una flauta de caña
Que pasa de largo asombrando

Por la milonga de la flauta
João sopla sentimiento
Distraído del olvido
Que João lleva en la cara

Son rastros de melodía
Que él recogió de los galpones
Para poblar soledades
En las lentas horas de ausencia

En el silencio del cansancio
Recostado en la pampa desnuda
Viene empapado de estrellas
Duerme en el cuarto de las lunas

Escrita por: Glênio Fagundes