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El Polvo de la Nostalgia

Gonzaga Medeiros

O Pó da Saudade

Gastando meu juízo,
me incomodando,
incorrigível apaixonado,
dormindo com mil lembranças,
sonhando sempre acordado.

Uma dor vai me apertando o peito,
minhas mãos vão se angustiando,
o meu coração se rasga,
esperança vai remendando.

E mesmo assim meu amor se revela
um primoroso modelo,
qual rosa murcha sonhando
salvar-se do pesadelo.

Tua lembrança me traz saudade profunda,
mas minha boca se alegra
em dizer doce amor o que eu sinto por ti.

Saudade de ti não é flor que se cheire
e eu cheirei a flor à vontade.
Hoje vivo a ilusão desse vício
de cheirar o pó-picumã da saudade.

Deu um apagão nas estrelas,
saltei no escuro, caí no mais fundo.
Põe teu beijo em minha boca,
sacode a poeira do meu mundo.

El Polvo de la Nostalgia

Gastando mi juicio,
me molestando,
apasionado incorregible,
durmiendo con mil recuerdos,
soñando siempre despierto.

Un dolor me aprieta el pecho,
mis manos se angustian,
mi corazón se desgarra,
la esperanza va remendando.

Y aún así mi amor se revela
un modelo exquisito,
como una rosa marchita soñando
salvarse del pesadilla.

Tu recuerdo me trae una profunda nostalgia,
pero mi boca se alegra
al decir dulce amor lo que siento por ti.

La nostalgia de ti no es una flor que huela bien
y yo olí la flor a mi antojo.
Hoy vivo la ilusión de este vicio
de oler el polvo-picumã de la nostalgia.

Se apagaron las estrellas,
salté a oscuras, caí en lo más profundo.
Pon tu beso en mi boca,
sacude el polvo de mi mundo.

Escrita por: Gonzaga Medeiros