395px

Déjalo para mí

Gordurinha

Deixa pra mim

Olhe não jogue fora
Não faça assim
Se você não quer
Pode deixar pra mim

Que velha sapeca é a dona Benta
Anda já beirando a casa dos noventa
Morei um certo dia escutando a vizinha
Dizer que o marido já não lhe convinha
E que era melhor que ele se fosse embora
A velha gritou então na mesma hora

Olhe não jogue fora
Não faça assim
Se você não quer
Pode deixar pra mim

Eu conheço um cara que é uma coisa louca
Tem um apelido de Zé boa boca
Pois quando algum amigo briga com a pequena
Crioula ou mulata, branca ou morena
E diz para o Zé que vai mandá-la embora
O Zé fica triste, se arrepia e chora

Olhe não jogue fora
Não faça assim
Se você não quer
Pode deixar pra mim

Lá na minha rua um cachorrinho olhava
Certo camarada que um poste arrancava
Ao ver o que o poste amigo ia ser levado
E no ferro velho ia ser jogado
O animalzinho então latiu curtinho
Como se quisesse lhe dizer assim

Olhe não jogue fora
Não faça assim
Se você não quer
Pode deixar pra mim

Déjalo para mí

Mira, no lo tires
No hagas así
Si no lo quieres
Déjalo para mí

Que la viejita es bien pícara, la doña Benta
Ya está cerca de los noventa
Un día escuché a la vecina
Decir que su marido ya no le conviene
Y que lo mejor era que se fuera de una vez
La vieja gritó en ese instante también

Mira, no lo tires
No hagas así
Si no lo quieres
Déjalo para mí

Conozco a un tipo que es una locura
Le dicen Zé, el de la buena boca
Porque cuando algún amigo pelea con la chica
Ya sea morena, blanca o mestiza
Y le dice a Zé que la va a mandar a volar
Zé se pone triste, se estremece y llora

Mira, no lo tires
No hagas así
Si no lo quieres
Déjalo para mí

En mi calle un perrito miraba
A un tipo que un poste desarmaba
Al ver que el poste amigo iba a ser llevado
Y al deshuesadero iba a ser tirado
El perrito entonces ladró cortito
Como si quisiera decirle así

Mira, no lo tires
No hagas así
Si no lo quieres
Déjalo para mí

Escrita por: Gordurinha, Armando Nunes