A Calcinha de Oncinha
Isabel minha flor minha estrela do norte
Tô escrevendo essa carta que Deus me conforte
Pra dizer com carinho do fundo do peito
Que você meu amor já me encheu o leito
Quer saber Vai pro inferno com todo respeito
Você vive chorando me chama de infiel
Mas nem me escuta Isabel Isabel
Só por causa de uma calcinha de oncinha manchada
Que por um acaso do destino caiu na minha calçada
Calçada não no bolso do paletó Mas calma eu explico
Foi no shopping que tudo explodiu
A loja pegando fogo calcinha que sumiu
Entrei como herói no meio da fumaça
E salvei a moça com uma corda de renda e cachaça
Eu quase morro Isabel E você aí reclamando da peça
Ela gritava socorro no fundo do provador
O balcão caiu o teto sumiu o povo fugiu de terror
Só restou eu e as prateleiras pegando calor
E as calcinhas voando juro Parecia o amor
Uma até grudou no meu rosto Eu achei que fosse um morcego
Eu fiz laço com calcinha pra puxar o balcão
Me chamaram de bombeiro de herói do povão
Mas você Isabel me chamou de safado
Só porque a calcinha ficou no meu paletó dobrado
E nem era minha Juro pelo meu samba Isabel
Troquei as fechaduras mudei meu telefone
Que é pra você parar de ligar com esse tom de homem
Eu sou um nobre Isabel um cidadão generoso
Mas você prefere o ciúme venenoso
E ainda diz que eu que destruí nossa relação Francamente
Agora me deixa que eu vou pra Ipioca beber
Tomar umas três pra te esquecer
Porque só você no mundo não vê
Que eu sou herói e a calcinha foi sem querer
La Calcita de Oncita
Isabel, mi flor, mi estrella del norte
Estoy escribiendo esta carta, que Dios me dé consuelo
Para decir con cariño desde el fondo del pecho
Que tú, mi amor, ya llenaste mi lecho
¿Quieres saber? Ve al infierno, con todo respeto
Tú vives llorando, me llamas infiel
Pero ni me escuchas, Isabel, Isabel
Solo por una calcita de oncita manchada
Que por un capricho del destino cayó en mi acera
Acera no, en el bolsillo del saco, pero calma, te explico
Fue en el centro comercial donde todo estalló
La tienda en llamas, la calcita que desapareció
Entré como un héroe en medio del humo
Y salvé a la chica con una cuerda de encaje y un trago
Casi muero, Isabel, y tú ahí quejándote de la prenda
Ella gritaba socorro en el fondo del probador
El mostrador cayó, el techo desapareció, la gente huyó aterrorizada
Solo quedamos yo y las estanterías sintiendo el calor
Y las calzoncitos volando, juro, parecía el amor
Uno se me pegó en la cara, pensé que era un murciélago
Hice un lazo con la calcita para levantar el mostrador
Me llamaron bombero, héroe del pueblo
Pero tú, Isabel, me llamaste sinvergüenza
Solo porque la calcita quedó en mi saco doblado
Y ni era mía, lo juro por mi samba, Isabel
Cambié las cerraduras, cambié mi teléfono
Para que dejes de llamar con ese tono de hombre
Soy un noble, Isabel, un ciudadano generoso
Pero tú prefieres el veneno del celos
Y aún dices que yo destruí nuestra relación, francamente
Ahora déjame, que me voy a Ipioca a beber
Tomar unos tres para olvidarte
Porque solo tú en el mundo no ves
Que soy un héroe y la calcita fue sin querer
Escrita por: Malungos, Crônicas de Calçada, Graciliano Tolentino, Samba de Breque Autoral