395px

Balança Torcida

Guaraná Soul

Balança Torta

Daqui debaixo
A balança me parece torta
Mas ninguém se importa
Se eu penso ou acho
Só assino embaixo
Com meu polegar

Por ser calado
Nascido e educado
Do lado de fora
Onde homem não chora
Onde o pau é mandado
Onde vão heróis armados
E escoltados numa liminar

Eu não quero desacatar vossa excelência
Muito menos impugnar vossa decisão
Só quero confessar que minha inocência
Matei há anos por não ter outra opção
Mas sei de cada peso pago em minha consciência
Como o senhor sabe os pesares do seu coração

Faltou emprego
E quando teve emprego
Me faltou preparo
Paguei o meu dinheiro
Com trabalho caro
Vi calado o meu salário
Tributar para um ladrão

Faltou decência
E nessa decadência
Não teve recato
Sobrou a violência
De rei contra rato
E a coerência
Escorreu pelo ladrão

Sei que fome não atenua delinquência
Sei que a ausência é problema do meu próprio pão
Que cada ato vale a sua consequência
E a frequência amadurece a crucificação
Perdoe magistrado, se faltou-me a eloquência
Pois afinal é cada qual com sua condição

Balança Torcida

Desde abajo
La balanza me parece torcida
Pero a nadie le importa
Si pienso o creo
Solo firmo abajo
Con mi pulgar

Por ser callado
Nacido y educado
Del lado de afuera
Donde el hombre no llora
Donde se manda el palo
Donde van héroes armados
Y escoltados en una liminar

No quiero desacatar su excelencia
Mucho menos impugnar su decisión
Solo quiero confesar que mi inocencia
Maté hace años por no tener otra opción
Pero sé de cada peso pagado en mi conciencia
Como usted sabe los pesares de su corazón

Faltó trabajo
Y cuando tuve trabajo
Me faltó preparación
Pagué mi dinero
Con un trabajo caro
Vi callado mi salario
Tributar para un ladrón

Faltó decencia
Y en esta decadencia
No hubo recato
Sobró la violencia
De rey contra ratón
Y la coherencia
Se escurrió por el ladrón

Sé que el hambre no atenúa la delincuencia
Sé que la ausencia es problema de mi propio pan
Que cada acto vale su consecuencia
Y la frecuencia madura la crucifixión
Perdone magistrado, si me faltó elocuencia
Pues al fin y al cabo, cada uno con su condición

Escrita por: Fernanda Araujo