395px

En un papel servilleta

Gustavito

Num Papel Guardanapo

Eu comecei a cantar minha canção do meio
Comendo pão sem recheio
Ela era onça e cutucou com a vara curta o meu lado
E eu me debatia todo, será que isso é pecado
Eu me contorço, eu sou bem moço
Eu tenho muito pra ver eu não me posso morrer

O dia a dia do diabo
A correria do quiabo
Minha mulher me pôs um rabo
No meu Natal desempregado

Mas te dizia meu medo era de ter dinheiro
Gastava tudo num cheiro
Vou te contar que tudo foi desenrolado errado
E eu me confundia todo, será que eu fui mal-criado
Tinha mulher e geladeira perdi tudo em janeiro
E me mudei pro buraco

Deitei miséria festeira
Eu fui catar poeira
Virei cavalo dado
Dourado, tristeza, ah nem!
Bebi do sangue até dizer amém!

E num papel guardanapo
Onde foi anotado
Um telefone e um recado
Batom salgado deixa a marca
De um beijo vermelho
Será que foi mal olhado
A minha vida não vinga
Eu tomo pinga, eu me tropeço
Eu me confundo no espelho
Eu não me posso morrer

A fantasia do diabo
Meu quibe frito mal passado
Eu de mulher me fiz dobrado
Em fevereiro eu sou passado

Como dizia meu pai pra não faltar angú
Tem que ralar no fubá
Vou te contar que eu trabalhava
De domingo a domingo
E me faltava um sorriso
Noite de Lua é tão lindo, faz de conta
Que meu bolso não é mais tão liso
E o nosso céu é azul

Deitei miséria festeira
Eu fui catar poeira
Virei cavalo dado
Dourado, tristeza, ah nem!
Bebi do sangue até dizer amém!

E pra moral dessa história desmoralizada
É uma mentira danada
Não tenho pai, não trabalhei
Eu nunca tive mulher muito menos geladeira
No papel guardanapo não tem beijo nem recado
Se nem mesmo eu existo eu já não posso morrer

En un papel servilleta

Eu comecei a cantar minha canção do meio
Comendo pão sem recheio
Ella era onça y me picó con la vara corta en el costado
Y yo me retorcía todo, ¿será que esto es pecado?
Me contorsiono, soy joven
Tengo mucho por ver, no me puedo morir

El día a día del diablo
La prisa del quiabo
Mi mujer me puso un cuerno
En mi Navidad desempleado

Pero te digo que mi miedo era tener dinero
Gastaba todo en un olor
Te contaré que todo se desenrolló mal
Y me confundía todo, ¿será que fui malcriado?
Tenía mujer y nevera, perdí todo en enero
Y me mudé al agujero

Me acosté en la miseria festiva
Fui a buscar polvo
Me convertí en caballo regalado
Dorado, tristeza, ¡ah no!
¡Bebí de la sangre hasta decir amén!

Y en un papel servilleta
Donde fue anotado
Un teléfono y un recado
Bálsamo salado deja la marca
De un beso rojo
¿Será que fue maldecido?
Mi vida no progresa
Tomo caña, me tropiezo
Me confundo en el espejo
No me puedo morir

La fantasía del diablo
Mi kebab frito pasado
De mujer me hice doblado
En febrero soy pasado

Como decía mi padre para no faltar alimento
Hay que rallar en el maíz
Te contaré que trabajaba
De domingo a domingo
Y me faltaba una sonrisa
Noche de Luna es tan hermosa, haz de cuenta
Que mi bolsillo ya no está tan vacío
Y nuestro cielo es azul

Me acosté en la miseria festiva
Fui a buscar polvo
Me convertí en caballo regalado
Dorado, tristeza, ¡ah no!
¡Bebí de la sangre hasta decir amén!

Y para la moraleja de esta historia desmoralizada
Es una mentira descarada
No tengo padre, no trabajé
Nunca tuve mujer, mucho menos nevera
En el papel servilleta no hay beso ni recado
Si ni siquiera existo, ya no puedo morir

Escrita por: Geison Almeida / Gustavito