Couraçado
Desmonto essa armadura
Forjada aos remendos
De pedaços colhidos do chão
Mais vale arder nu ao relento
Que se escorar numa carcaça de latão
É inútil lustrar esse escudo
Desprezando os espinhos que crescem
À revelia na pele
Que de mansinho nos adoecem
Na couraça criada à base de insulto e porrada
Só aquela primeira camada da derme que guarda
A parte mais pura, que não se fere
Desmonte essa armadura forjada aos remendos
Recusando o que te exigiu a razão
A ferrugem que te trava não é nada
Frente ao pequeno pedaço que pulsa- o coração
Feche os olhos, se envolva em trevas
Pra delas poder notar
Que há, largada em algum canto
Uma luz teimosa a se rebelar
Contra a couraça criada à base de insulto e porrada
Que pelas fendas e rachaduras, de dentro pra fora
Revela a beleza que deixa escapar
Acorazado
Desmonto esta armadura
Forjada a retazos
De pedazos recogidos del suelo
Más vale arder desnudo al relente
Que apoyarse en una carcasa de latón
Es inútil pulir este escudo
Despreciando las espinas que crecen
A su antojo en la piel
Que poco a poco nos enferman
En la coraza creada a base de insulto y golpes
Solo esa primera capa de la dermis que guarda
La parte más pura, que no se hiere
Desmonta esta armadura forjada a retazos
Rechazando lo que te exigió la razón
El óxido que te paraliza no es nada
Frente al pequeño pedazo que late - el corazón
Cierra los ojos, sumérgete en la oscuridad
Para poder notar
Que hay, abandonada en algún rincón
Una luz obstinada que se rebela
Contra la coraza creada a base de insulto y golpes
Que por las grietas y fisuras, de adentro hacia afuera
Revela la belleza que se escapa
Escrita por: Gustavo Deppe