Azaventura de Maguilakém (As Aventuras de Mathuzalém)
No dia 16 de abril do ano 2000
Ali por volta das 7 e quarenta
Na Evangelina Rosa nascia este que vos fala de cesárea
Pra não afetar minha massa cinzenta
Passei meu primeiro aniversário internado
A pneumonia veio me atacar
Mamãe era professora do estado, meu pai segurança do Carvalho mas dele
Eu não gosto nem de falar
Estudei na Escolinha Mundo Infantil no Parque Jurema
Com minha querida tia Flor
Mas lá na virada dos 5 pra 6 anos de idade
A minha vida mudou
Acabei mudando de cidade
Vim com minha mãe pro interior
Gastei dezoito anos de vida
Tentando entender quem sou
Não adiantou
Peraí
Na escola meu apelido era tolete
Mas eu não deixava barato
Apelidava, batia, xingava, me aparecia
Mas em casa eu só vivia calado
Aos 12 anos graças à vizinha que eu queria impressionar dizendo que sabia espanhol
O bichinho do rádio me mordeu
Anos depois inventei de fazer programa e hoje pelo menos dez pessoas fora do meu círculo de amigos
Já sabem bem quem sou eu
Passei 3 anos dando aula em colégio mesmo tendo dito anos atrás
Que nunca ia ser professor
Numa graduação licenciatura que só fiz porque achava que iriam me ensinar
A consertar computador, ledo engano!
Já cansei dessa morosidade
Pra capital agora eu vou
Vou me mudar pra Teresina
Vou trabalhar de locutor, ou professor
Quando eu cheguei o desencanto bateu forte e eu percebi que a grama
Não era tão verde assim
Dei sorte de conseguir emprego na minha área porque meu ex-professor gente fina
Se compadeceu de mim
Fiz tanta merda, estourei cartão, colei cartazes, conheci o amor
Fiz paródia de música véia (ninguém pega as referências, mas enfim)
Voltei a andar de ônibus, aprendi a cozinhar e bebi água da Águas de Teresina
Que me deu uma puta diarreia
Já faz um ano que me mudei e mesmo dando pra viver o que eu ganho, o que eu ganho, o que eu ganho
Não dá pra subir meu score
Quem usa Pix parcelado achando que no outro mês tá pago, coitado
Ele se fode, me fode, te fode, o pobre sempre se fode
Nessa cidade, eu
Eu na capital agora estou
Pensando na professorinha, e no preço da quentinha
E meu cartão já bloqueou
Azaventura de Maguilakém (Las Aventuras de Mathuzalém)
El 16 de abril del año 2000
Alrededor de las 7:40
En Evangelina Rosa nació este que les habla por cesárea
Para no afectar mi masa gris
Pasé mi primer cumpleaños internado
La neumonía vino a atacarme
Mamá era profesora del estado, mi papá seguridad de Carvalho, pero de él
No me gusta ni hablar
Estudié en la Escuelita Mundo Infantil en el Parque Jurema
Con mi querida tía Flor
Pero ahí, al pasar de los 5 a los 6 años de edad
Mi vida cambió
Terminé mudándome de ciudad
Vine con mi mamá al interior
Gasté dieciocho años de vida
Tratando de entender quién soy
No sirvió de nada
Espera
En la escuela mi apodo era tolete
Pero no me dejaba pisotear
Apodaba, golpeaba, insultaba, me aparecía
Pero en casa solo vivía callado
A los 12 años, gracias a la vecina que quería impresionar diciendo que sabía español
El bichito de la radio me picó
Años después decidí hacer un programa y hoy al menos diez personas fuera de mi círculo de amigos
Ya saben bien quién soy yo
Pasé 3 años dando clases en un colegio, a pesar de haber dicho años atrás
Que nunca iba a ser profesor
En una licenciatura que solo hice porque pensaba que me enseñarían
A reparar computadoras, ¡gran error!
Ya estoy cansado de esta lentitud
Ahora me voy a la capital
Me mudaré a Teresina
Voy a trabajar de locutor o profesor
Cuando llegué, la desilusión golpeó fuerte y me di cuenta de que el pasto
No era tan verde así
Tuve suerte de conseguir trabajo en mi área porque mi ex-profesor buena onda
Se compadeció de mí
Hice tantas tonterías, rompí tarjetas, pegué carteles, conocí el amor
Hice parodia de una canción vieja (nadie entiende las referencias, pero bueno)
Volví a andar en bus, aprendí a cocinar y bebí agua de Águas de Teresina
Que me dio una diarrea horrible
Ya ha pasado un año desde que me mudé y aunque me da para vivir, lo que gano, lo que gano, lo que gano
No alcanza para subir mi puntaje
Quien usa Pix a plazos pensando que el próximo mes ya está pagado, pobrecito
Se jode, me jode, te jode, el pobre siempre se jode
En esta ciudad, yo
Yo en la capital ahora estoy
Pensando en la profesorcita, y en el precio de la comida
Y mi tarjeta ya se bloqueó