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Grano

Ilusão Dual

Grão

Um grão de afeto que restava
Uma grama que sobrou
E eu guardava

Num chão úmido e macio
Fértil e sadio
Queria água

E então uma chuva bem miúda
Um sereno de água turva
Me encharcou e foi embora

Eu novo e ingênuo, louco tal e qual
Uma criança, vi sereno mas senti um temporal

Descobri da pior forma que a tua tempestade
Era só uma fantasia da minha imaturidade

Quão apressado que eu fui
Me feri e agora o pus
Me mela

Meu chão tornou-se infértil e hostil
Rachou e nada floriu
Na minha terra

A confusão de aromas que eu sentia
Era linda e eu sabia
Que eram cravo e canela

Eu quis um dia florescer e dar minha flor pra você
Mas você não quis

Meu grão encharcou e apodreceu, se afogou e morreu
Depois você evaporou. Sumiu

Grano

Un grano de cariño que quedaba
Una pizca que sobrevivió
Y yo guardaba

En un suelo húmedo y suave
Fértil y saludable
Quería agua

Y entonces una lluvia muy fina
Un rocío de agua turbia
Me empapó y se fue

Yo joven e ingenuo, loco tal cual
Un niño, vi el rocío pero sentí un temporal

Descubrí de la peor manera que tu tormenta
Era solo una fantasía de mi inmadurez

Qué apresurado fui
Me lastimé y ahora el pus
Me ensucia

Mi suelo se volvió infértil y hostil
Se agrietó y nada floreció
En mi tierra

La confusión de aromas que sentía
Era hermosa y sabía
Que eran clavo y canela

Quise algún día florecer y dar mi flor a ti
Pero tú no quisiste

Mi grano se empapó y pudrió, se ahogó y murió
Luego tú evaporaste. Desapareciste

Escrita por: Ygor Nunes Silva