Iracema Brechtiana
Quando você me falou
Em viagem de avião
Que sobrevoava o mar
Prometeu muita cerveja
Nova vida, outro lugar
E um vestido bem vermelho
Preto e ouro, um estouro
Pra com ele me enfeitar
O que eu podia imaginar, entenda
Eu vivia na miséria
E vendia meu amor
Lembro de você, seu ingrato
Naquele motel barato
A gemer com meus carinhos e fervor
Eu devia ter notado
Quando vi você embriagado
Sem querer me pagar
Curei sua impotência
Com asco e paciência
E você no blá-blá-blá
Também pudera
Você me agradecia
Dizendo que eu merecia
Uma viagem à baviera
Juro que eu sonhava em ser feliz
Largar a vida de meretriz
Ainda tinha pouca idade
Mas acabei sua doméstica
Feito escrava sexual
Marcada pela saudade
Eu não falo sua língua
Não conheço seus amigos
Não escrevo português
Não posso mandar notícias
E as cartas que recebo
É você quem lê pra mim
Iracema Brechtiana
Cuando me hablaste
De un viaje en avión
Sobre el mar volando
Prometiste mucha cerveza
Nueva vida, otro lugar
Y un vestido bien rojo
Negro y dorado, un estallido
Para adornarme con él
Lo que podía imaginar, entiende
Yo vivía en la miseria
Y vendía mi amor
Recuerdo de ti, ingrato
En ese motel barato
Gimiendo con mis caricias y fervor
Debería haber notado
Cuando te vi embriagado
Sin querer pagarme
Cure tu impotencia
Con asco y paciencia
Y tú en el bla-bla-bla
También es comprensible
Me agradecías
Diciendo que merecía
Un viaje a Baviera
Juro que soñaba con ser feliz
Dejar la vida de prostituta
Aún era joven
Pero terminé siendo tu criada
Convertida en esclava sexual
Marcada por la nostalgia
No hablo tu idioma
No conozco a tus amigos
No escribo en portugués
No puedo enviar noticias
Y las cartas que recibo
Tú las lees para mí
Escrita por: Flávio Paiva