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Boi de Carro

Inezita Barroso

Boi de Carro

Na mangueira
Na fazenda do Lajeado
Conheci o boi Maiado
Descaído como quê

Tempo de moço
Quando eu era candeeiro
Boi Maiado era ligeiro
Eu trabalhei com você

Boi de carro
Hoje véio rejeitado
Seu cangote calejado
Da canga que te prendeu

Boi de carro
Ainda eu sou teu companheiro
Eu tô véio, sem dinheiro
Teu destino é igual o meu

Boi de carro
Sem valia foi quebrado
De puxar carro pesado
Costume que os patrão faz

Eu trabaiei
Trinta ano e tô cansado
Do lugar fui despachado
Diz que eu já não presto mais

Boi de carro
Seu oiá triste parado
Ruminando já cansado
Do desprezo do patrão

Boi de carro
Eu também tô ruminando
Essa mágoa vou levando
Dos home sem coração

Boi de carro
O seu dia tá marcado
Pro corte foi negociado
Pra matá no fim do mês

Adeus maiado
Meu sentimento é profundo
Vou andando pelo mundo
Esperando a minha vez

Boi de Carro

En la manga
En la finca de Lajeado
Conocí al toro Maiado
Abatido como qué

En mi juventud
Cuando era candilero
El toro Maiado era ágil
Trabajé contigo

Toro de carro
Hoy viejo y rechazado
Tu cuello calloso
De la yunta que te ató

Toro de carro
Todavía soy tu compañero
Estoy viejo, sin dinero
Tu destino es igual al mío

Toro de carro
Sin valor fue desechado
De tirar carros pesados
Costumbre de los patrones

Yo trabajé
Treinta años y estoy cansado
Me echaron del lugar
Dicen que ya no sirvo más

Toro de carro
Tu mirada triste y quieta
Rumiando ya cansado
Del desprecio del patrón

Toro de carro
Yo también estoy rumiando
Llevo esta amargura
De los hombres sin corazón

Toro de carro
Tu día está marcado
Fue negociado para el sacrificio
Para matarte a fin de mes

Adiós Maiado
Mi sentimiento es profundo
Caminaré por el mundo
Esperando mi turno

Escrita por: Anacleto Rosas Jr. / Tinoco